SELEÇÃO DE DUNGA, NÃO DO BRASILEIRO
Saiu a seleção de Dunga, que não é a seleção do brasileiro. Onze em cada dez torcedores têm a sua seleção. Impossível agradar a todos.
Injustiça braba mesmo só a não-convocação do melhor goleiro em atividade no Brasil nos últimos dois anos, Victor, do Grêmio. Irritação maior porque Victor desfalcou o Grêmio em jogos da Libertadores de 2009, chamado por Dunga para a Copa das Confederações.
Injustiça por injustiça, o Brasil berrou feio quando Felipão não levou Romário em 2002. Levantamos o caneco. No time estavam Gilberto Silva e Kleberson. Gilberto completará 34 anos em outubro. Kleberson está com 30. Oito anos depois, os dois irão para a África do Sul.
Dunga segue sua biografia: é um sujeito que precisa confiar cegamente nos comandados. Repete Parreira em 1994. Dunga havia afundado na Copa de 90 com Lazaroni. Os jornais do centro do país comemoraram o fracasso pessoal do volantão com a manchete: “Fim da era Dunga”. Parreira chamou Dunga para a Copa seguinte. Deu no que deu.
Há coisas entre o céu e a terra que nossa vã filosofia não alcança. Nas convocações para a seleção brasileira, também. Quem viveu para ver Falcão fora da Copa de 78 não se surpreende com mais nada.
Juram que Dunga administrou Romário em 94. Se administrou, cansou. Não levará jogador para ser administrado. Os de vida desregrada estão fora. Faz muitíssimo bem. Parreira levou em 2006 e o noticiário da seleção então se dividiu entre futebol e noitadas.
Dunga segue a filosofia de outro gaúcho, Felipão: se é para errar, vai errar por ele mesmo, não por palpiteiros. Faz bem. Na hora da cobrança, se a seleção fracassar na África, ele será a Geni.
Torço para que a seleção de Dunga volte com o caneco. Embora, como os onze em cada dez torcedores, tenha a minha seleção.
