Hiltor Mombach

Sem imprensa, vereadores não entram na obra da Arena

Do site da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

Sem imprensa, vereadores não entram na obra da Arena


Vereadores da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh) da Câmara Municipal de Porto Alegre não entraram no canteiro de obras da construtora OAS para conferir a situação dos operários que trabalham na Arena do Grêmio. Os vereadores decidiram não ingressar no local depois que um chefe de equipe disse que somente eles poderiam passar pelo portão que separa a área privada da via pública. Ficariam de fora jornalistas de diversos veículos da Capital, assessores legislativos e líderes comunitários do bairro Humaitá. A tentativa de visita ocorreu nesta terça-feira (4/10).

A partir daí, a vereadora Maria Celeste (PT), presidente da Cedecondh, resolveu convocar reunião conjunta entre Cedecondh e a Comissão de Urbanização, Transportes e Habitação (Cuthab) para a quinta-feira (6/10), às 10 horas, na Câmara Municipal. A vereadora informou que irá convidar representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) para participarem dessa reunião, assim como as lideranças comunitárias que receberam os vereadores nesta terça-feira.

A proposta de Maria Celeste é que na quinta-feira comissão de vereadores, procuradores do MPT e fiscais da DRT voltem ao local da Arena, uma vez que, nesse caso, os procuradores têm poder de polícia para adentrarem no local e averiguar as condições de trabalho. A principal preocupação é com os trabalhadores que ficaram sem documentos após o incêndio dos alojamentos no domingo. Os vereadores Sebastião Melo (PMDB), Alceu Brasinha (PTB), Luciano Marcantônio (PDT) e Dr. Raul Torelly (PMDB) acompanharam Celeste na visita desta tarde.

Famílias

A presidente da Associação dos Moradores da Vila Liberdade, Elida Marina Ferreira Dutra, disse que dezenas de operários, a grande maioria arregimentados no Nordeste, trouxeram suas famílias para Porto Alegre, uma vez que o projeto da Arena vai muito além da construção do estádio, cuja inauguração está prevista para 2012. Depois dessa etapa, serão construídos prédios residenciais e um shopping center. Por isso, esses operários deverão permanecer por mais tempo em Porto Alegre.

O problema, explica Elida, é que os familiares dos operários, mulheres e crianças, não foram cadastrados pela prefeitura e não há como saber se estão frequentando escolas ou tendo acesso a atendimento em postos de saúde. “Muitas casas foram alugadas pela OAS para esses operários com família. A única benfeitoria que sabemos que existe é uma creche construída pela própria construtora para reunir as crianças pequenas”, finalizou Elida.

Fernando Cibelli de Castro (reg. prof. 6881)