SEM INGENUIDADE
Ali pelos 20min do primeiro tempo dava para se perceber. Os africanos haviam perdido o ímpeto ofensivo, aquela ingenuidade sedutora, mas ao mesmo tempo traiçoeira, que manda apenas atacar. O selecionado atuava num 4-4-2 ortodoxo. Era toque de Parreira. Os mexicanos insistiam mais, sem fazer os Bafana Bafana mudarem a proposta de jogo. Muita marcação. O México agredia e os africanos jogavam só na manha, esperando um erro, um equívoco, um cochilo.
O primeiro tempo terminou assim, sem gol, com o México melhor, para aflição de toda África do Sul e desespero dos que conseguiram entrar no imponente e belo estádio Soccer City com quase 90 mil pessoas. As vuvuzelas? Estas enlouqueciam qualquer um.
Veio o segundo tempo. E as coisas mudaram. Parreira não abriu o selecionado, mas mandou avançar um pouco. Aos10min as vuvuzelas estouraram os tímpanos. Tshabalala meteu um balaço num contra-ataque fulminante. A África toda foi ao delírio.
Em futebol não há justiça. Há o resultado. Mas se houvesse justiça, foi justo o gol de empate dos mexicanos. Pelo primeiro tempo. Marquez fez 1 a 1 quando faltavam 11min para o final. Ay, ay, ay, ay, canta y no llores... As vuvuzelas não silenciaram. Haja pulmão!
Faltava um minuto para o apito final e, num outro contra-ataque, Mphela mandou na trave. O grito de gol engasgou na garanta. Não só dos africanos. Muitos adotaram os Bafana Batana como a segunda seleção. Como eu. Ontem, não deu. Não que o empate tenha sido ruim, não, mas havia muita expectativa pela vitória. Não vi decepção dos africanos na saída do estádio. E dê-lhe vuvuzela!
Na próxima, vai dar. Vai ter que dar.
