O sentimento vem sendo reforçado vai tempo. Pensei tratar-se de coisa só minha. Na sexta-feira, um motorista de táxi externou a mesma coisa. Chequei vários amigos para saber o que eles achavam. Unanimidade: estavam dominados pela mesma sensação. Então decidi escrever. Posso estar tremendamente equivocado, na contramão, ser desmentido pelo amigo leitor. Qual é este sentimento? A cada ano que passa, o Brasileiro vem sendo mais relegado por dirigentes de Inter e Grêmio.
Trata-se tão-somente de uma impressão, compartilhada por algumas pessoas, é verdade: nossos dirigentes jogaram a toalha. Motivo? Sabem ser quase impossível obter o título depois do advento dos pontos corridos. No começo havia motivação, que foi diminuindo conforme o aumento da disparidade na distribuição das cotas de televisão. Como concorrer contra quem recebe o dobro? Um dos sintomas é o Grêmio ter contratado um auxiliar técnico do Inter, Julinho, para comandar o time principal, e o Inter estar há quase 20 dias sob tacão de um jovem interino.
Minha impressão é que Grêmio e Inter estão à deriva, que entregaram os pontos e que se contentam em brigar por uma vaga na Libertadores, se tanto. Que aceitaram ir a reboque de Flamengo e Corinthians, principalmente. Que aceitaram ser coadjuvantes. Juro que quero estar equivocado, errado, mas é o que eu sinto.
Também percebo que colorados e gremistas estão tomados pelo desalento. Não há mais grandes contratações. Não há mais ousadia. Os dirigentes parecem prostrados. E assim, nesta letargia contagiante, só resta esperar terminar o ano. Mais um ano.
