Deixo o Alasca para, como turista, conhecer Porto Alegre. Saio de um freezer e entro numa geladeira.
Contrato um guia para visitar alguns pontos turísticos. Quero conhecer o Beira-Rio e a Arena. Ali moram dois campeões mundiais.
Sou apresentado ao Beira-Rio. Avenidas largas, ruas recém abertas, incrível facilidade para se chegar e sair. Coisa de primeiro mundo.
Pergunto ao guia se tudo ali sempre foi assim, tão chique. Ouço que o estádio melhorou depois de uma reforma. Conta que houve a intervenção do presidente da República na época para a construtora tirar a obra do papel. Dá o nome: Dilma Vana Rousseff.
Encantado, peço que me leve até a Arena. A chegada ao estádio é complicada. O guia diz que estamos num bairro chamado Humaitá. Acrescenta que é só ameaçar chover que alaga.
Conta que uma tal de contrutora chamada OAS fez o estádio e constava no contrato que deveria fazer também as obras de entorno que contemplariam o bairro.
A OAS quebrou, pediu recuperação judicial, e há mais de 10 anos os moradores esperam pelas tais das obras.
Vejo um bairro simples. Pergunto ao guia se ele não acha que o Humaitá deveria ter o mesmo tratamento da área onde está no Beira-Rio, pois o contraste é gritante. Ele não sabe responder. Mas diz que o Grêmio não deveria ter saído do Olímpico.
Fico conhecendo a história do antigo estádio, o Olímpico. Pergunto ao guia o que ele acha que seria do bairro Humaitá sem a Arena. Se com um inquilino tão forte politicamente como o Grêmio nada se resolve, como ficaria a comunidade do entorno sem o estádio?
Certamente não seria lembrado nem nas piores enchentes.
Deixo a Arena pensativo. E a tal da inclusão social prometida pelos governantes? Se a OAS não realizou as obras do entorno, se está quebrada, que se deixe por isto mesmo, que se deixe uma comunidade toda padecendo? Ou isto serve de pretexto para que nada de faça? O bairro é da OAS ou de Porto Alegre?
Retorno ao hotel com a certeza de que há algo de muito errado no tratamento dado aos dois estádios.
Será que se o bairro Humaitá ficasse na Padre Cacique as coisas seriam diferentes?
Vou voltar para o Alasca. Vou sair de uma geladeira e voltar para o freezer.
Será que se o bairro Humaitá ficasse na Padre Cacique as coisas seriam diferentes?
Deixo o Alasca para, como turista, conhecer Porto Alegre. Saio de um freezer e entro numa geladeira.
