Conversei com o gaúcho Marcus Vinícius Freire, superintendente executivo de esportes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), natural de Bento Gonçalves. Para saber por que o esporte de alto rendimento engatinha no país. Ouvi dele o que eu já sabia.
O topo da organização do esporte de alto rendimento, o COB, vai bem, é profissional. Abaixo, temos muitas confederações atuando no tempo do amadorismo puro e, mais abaixo, as federações. Algumas fariam um bem danado se fechassem. Marcos Freire disse que o Brasil pode driblar este quadro e que isto não é tão difícil. Citou o rugby como exemplo. Bem organizado e profissionalizado, está crescendo e já conta com oito patrocinadores. Não quis melindrar ninguém, mas há muito dirigente que é um verdadeiro atraso quando o esporte é de ponta.
Ele aproveitou para fazer uma correção. Venho escrevendo que a verba do COB cresceu de R$ 1 bilhão nos Jogos de Pequim para R$ 2,1 bilhões em Londres. Para o esporte de alto rendimento, que é o que interessa, diz que foram 270 milhões de dólares em 2008 e, agora, 390 milhões. Nos Jogos do Rio, em 2016, o investimento será de 700 milhões de dólares e a expectativa é de conquistar 30 medalhas. Na China foram 15 e de Londres devem vir mais 15, embora o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, fale em 20. Rebelo poderia tirar a dúvida: foram R$ 2,1 bilhões ou 390 milhões de dólares?
Por falar nos jogos do Rio, o que nós diríamos se a delegação de basquete feminina da Inglaterra ficasse sufocada pelo calor da cidade e tivesse que sair correndo comprar ventiladores? Com a nossa síndrome do coitadismo, diríamos "ah, isto só podia acontecer no Brasil!".
Aconteceu em Londres. Com o calor de 28 graus, a solução encontrada pela direção da Confederação Brasileira de Basquete para o problema foi comprar ventiladores e instalá-los nas habitações. Em Londres!
