Nelson Rodrigues abre assim uma das suas crônicas: “Pode parecer uma verdade exagerada, violentada, mas eu diria o seguinte: no Brasil, a glória está mais no insulto do que no elogio. Se não me entendem, paciência. Mas ouçam uma boa e honrada conversa de brasileiros com brasileiros. Reparem como nós cochichamos o ditirambo e berramos o ultraje. Por coincidência, só ultrajamos os melhores.”
Compara-se Roth a uma garrafa de refri dois litros que aos poucos vai perdendo o gás. Um dos seus méritos não passava de uma mentira que, de tantas vezes repetida, tornou-se verdade, desmascarada aqui mesmo. Pelo menos pontualmente. Sempre se disse que Roth é especialista em montar times defensivamente. Os dados publicados ontem apontam para o contrário. Em 16 jogos sob o seu comando, o Grêmio levou 21 gols, média de 1,3 por partida.
Mas, e há sempre um mas em tudo, a glória de Roth neste momento está mais no elogio do que no insulto. Com ele o Grêmio alcançou estupendos 52% de aproveitamento. É índice para brigar por vaga na Libertadores, com boas chances de chegar lá, e que pulveriza o dos seus antecessores. O glorificado Renato dançou com 38% e o noviço Julinho com 33,3%. Alguém poderá cometer o chiste de dizer que o Grêmio está onde está na tabela apesar de Roth. Mentira deslavada. Está onde está graças a Roth.
