Hiltor Mombach

Somos aprendizes

Somos aprendizes

Mário Sérgio passou um pito na reportagem após Inter 1 x 1 Atlético Paranaense. Nós, gaúchos, só enxergamos o lado ruim das coisas. Tem razão. Neste aspecto imitamos os argentinos: somos trágicos.
Não vemos que Mário Sérgio inova. Estamos diante de um Descartes do futebol: ele inova no método. Também pode ser confundido como anarquista Bakunin. Enfim, convivemos com um gênio.
Com Mário Sérgio, muda o método de treinamento. Agora, os jogadores se apresentam e o técnico, não. Isso dá liberdade aos jogadores para entrar em campo e não jogar. E, quando se apresenta para treinar, treina uma coisa para aplicar outra na hora do jogo. Revolução pura! Na sua última aula filósofica aplicada ao futebol ele disse que não ser “obrigado a falar para vocês (imprensa) o time que vai jogar”. Outra reviravolta no método: nem jornalistas nem jogadores devem saber nada. Viu-se que, aplicada, a tese deu certo no sábado. Estávamos todos perdidos: imprensa, torcida, jogadores, direção....
Revolução no método e na prática. Mário Sérgio nos torna todos ignorantes quando afirma, com justiça, que só vemos o lado ruim das coisas. O Inter jogou um bolão contra os reservas do Náutico, goleou por 3 a 1, numa reabilitação entrondosa. Ninguém escreveu uma linha sobre a façanha. Sábado, empatou de forma gloriosa, dramática, contra um Atlético Paranaense que luta contra o rebaixamento. Preferimos exaltar os defeitos do time e não suas virtudes. Calamos diante da genial improvisação de Bolãnos e Andrezinho nas alas.
Mário Sérgio cometeu outra verdade neste desabafo: “Então eu estou atrapalhando o Inter, cheguei aqui para atrapalhar”. Não. A imprensa é que está atrapalhando. Com Mário Sérgio no Beira-Rio viramos socráticos. Eu, por exemplo, só sei que nada sei.