O melhor articulista do cotidiano deste rincão, Juremir, escreveu ontem sobre sucumbência.
Diz o sempre genial Juremir: “Procuradores são advogados públicos pagos pelo contribuinte para defender o Estado. Se perdem uma causa, não metem a mão no bolso nem ficam sem salário. Se ganham, querem prêmio de produtividade...”
Lendo o último balancete do Grêmio encontrei que entre prêmios, gratificações, indenizações e luvas o clube gastou R$ 14 milhões de janeiro até setembro.
Entre salários, luvas e direito de imagem há jogador botando no bolso R$ 1 milhão por mês ou mais. Recebe feito nababo para ganhar em campo, obviamente. Trata-se de um escárnio, uma zombaria, num país onde o salário mínimo bate no R$ 1 mil.
Sobre isto, relato um acontecimento patético. Recentemente o treinador Renato desmentiu, irritado, uma especulação de que receberia R$ 1,5 milhão por mês para renovar com o Grêmio: “Falar que eu renovei, e por aqueles números? Esta notícia não existe. Tem que ter mais responsabilidade, a gente trabalha no Brasil, onde o salário-mínimo é mil reais. Tem que haver respeito”.
Acho que no dia da tal declaração o renomado técnico mostrou um comprovante bancário com a cifra de R$ 40 mil. Foi o valor depositado na conta do centroavante Luciano por conta do gol de bicicleta diante da Chapecoense, pela 32ª rodada do Brasileirão. Deu 40 salários mínimos, mais de três anos do ganho de um trabalhador comum, numa tacada, por um gol. Quanto respeito!
Prossigo com uma observação indispensável: procuradores são advogados públicos pagos pelo contribuinte para defender o Estado; jogadores são pagos por clubes e não por contribuintes. Nem é justo dizer que são pagos pelos sócios, pois esta é apenas a terceira maior receita, perdendo para TV e venda de atletas.
O bojo da questão aqui é outra: quando perde, perde e só perde, mesmo em caso de rebaixamento, de vexame, o jogador recebe seu salário. Ou do clube ou na Justiça, no caso com correção. Não há desconto na derrota. Quando ganha, ganha duplamente, seu salário e o prêmio, este institucionalizado no pais.
Nos dias atuais, a premiação não se dá mais apenas para conquista de títulos, mas por avanços nos campeonatos. Lembrando que o Grêmio obteve apenas a taça regional nesta temporada.
Cito o Grêmio levado pela leitura do balancete. A política de premiação não é exclusiva do Tricolor, mas aplicada em todos os grandes times brasileiros. Todos, sem exceção.
Curioso aqui o debate que se estabelece quando da mala branca, o nome dado ao incentivo em dinheiro fornecido a uma equipe para vencer uma partida contra uma segunda equipe. O que dizer do prêmio, um incentivo, para que o próprio time vença? Eu também poderia colocar da seguinte forma: um incentivo para que o time não perca. Que tipo de mala é esta?
Antigamente, pagava-se prêmio por título. Debatia-se a premiação só na hora de uma final, por exemplo. Especula-se que algumas derrotas aconteceram pelo não acerto da premiação ou porque o dinheiro não atendia a exigência dos jogadores.
Para ser ver que futebol também tem sucumbência..
Sucumbência no futebol
Eu também poderia colocar da seguinte forma: um incentivo para que o time não perca
