Hiltor Mombach

Sugestões para o Gauchão

Prezado Hiltor,


Em primeiro lugar eu gostaria de externar meu respeito e admiração por ti.
Desde a primeira vez que li teus comentários eu procuro acompanhar o que escreves. Gosto muito do conteúdo de tua coluna, bem como do teu estilo único de escrever.


Agora, vamos ao motivo do e-mail.


Já vi várias vezes que publicas em teu blog e-mails que recebe, se os julga convenientes, interessantes e/ou relevantes.


Vou tentar dar uma pequena contribuição. Se julgares digna, sinto-me honrado de vê-la publicada. Senão, não há problema algum. O que importa é que fica registrada a ideia.


Percebo que o Campeonato Gaúcho desperta pouco interesse, tanto na dupla Gre-Nal, quanto aos torcedores dessa. A nível nacional o desdém é ainda maior, e a razão é simples. Todos sabem que, depois de um período de tempo no qual os times gaúchos se digladiam, o campeão é decidido (direta ou indiretamente) através do resultado de um clássico Gre-Nal. Com raras exceções.


Não pretendo mudar a fórmula. Estou longe de ter uma solução para isso. Contudo, acredito que o Gauchão poderia se tornar mais interessante se fosse usado como laboratório, a fim de testar algumas mudanças nas regras do futebol, que poderiam quem sabe melhorar o velho esporte bretão.


Poderia se testar algumas ideias envolvendo uma reformulação na contagem de pontos: não seria mais aceito o empate, o jogo neste caso seria decidido nos pênaltis. O vencedor leva 2 pontos ao invés dos 3 para vitória no tempo normal, enquanto o perdedor nada recebe. Poderia se mexer nas regras de substituição, aumentando o limite. Ou até mesmo revolucionando o tema, permitindo que um jogador substituído volte a campo.


Mas acima de tudo, deveria se optar por testar novas regras que pudessem coibir as faltas no jogo. O Campeonato Gaúcho, longe de ser “charmoso” é conhecido por ser “pegado”, duro, peleado, grosseiro, violento até. São jogos feios, muito travados, nos quais se abusa do recurso da falta.


Assim minha propostas seriam:


1. Criar um limite de faltas para os times durante a partida. Depois deste limite (digamos 10 faltas) a equipe não poderia mais montar barreira.


2. Criar um limite de faltas por jogador. Por exemplo, um jogador receberia um cartão amarelo automaticamente após cometer 7 faltas, e um segundo cartão amarelo (consequentemente um vermelho) após cometer 10 faltas, mesmo que nenhuma delas fosse violenta. Claro que ainda ficaria a critério do árbitro dar cartão por entradas violentas. Neste caso, a falta não contaria para a contagem, mas ter um amarelo e receber outro pelo “conjunto da obra” acarretaria em expulsão prematura.


Creio que estas duas mudanças simples ajudariam a disciplinar as equipes e jogadores para que nosso Gauchão se tornasse um campeonato mais bonito, melhor jogado. E também atrairia olhares curiosos do resto do país, e quem sabe do exterior, curiosos para analisarem os resultados das novas ações.


Quem sabe assim, no futuro, ao se adotar medidas experimentadas neste “laboratório”, o Rio Grande não pode ser considerado um pioneiro?


Obrigado, Hiltor, por esta oportunidade. Sinto ter me estendido tanto. Um grande abraço e continue o bom trabalho.








Luiz Ulisses Bender