Hiltor Mombach

Superamos o Rio. Aqui, de dia falta água e luz. De noite, também

Pode parecer uma verdade exagerada, generalizada, mas eu diria o seguinte: no Brasil, tudo piora.

Pode parecer uma verdade exagerada, generalizada, mas eu diria o seguinte: no Brasil, tudo piora.

Subitamente eu percebi que era feliz com a Companhia Estadual de Geração de Energia Elétrica. Desde quarta-feira venho consagrando o Grupo Equatorial com vitupérios. A frase é de Bernard Shaw: "Gosto de quem tem uma cara só. Mas a multidão não tem nem isso. Simplesmente não tem cara." Aí entra o Equatorial: não tem cara. Meus vitupérios só aguçaram minha úlcera.

Tem uma tal de Clara, a mais fiel servente. Trata-se de um robô. Não tem cara. Cabe todinha nesta empresa. Será a funcionária do século. Diante da falta de luz repetia: "Aqui diz que o fornecimento de energia elétrica para a sua contrato já foi normalizada".

Sou o típico azarado. Caberia no personagem Sofrenildo, criação do chargista Sampaulo, saudoso companheiro da Folha da Tarde. Nunca ganhei prêmio algum. Montado na esperança, achei que minha sorte mudaria, que eu seria atendido por alguém da Equatorial.

Uma voz mandou digitar o número 4, o do atendente. Fui atacado por uma intensa sensação de prazer, de alegria. Esfregaria na cara de toda a vizinhança: viu, eu fui atendido! Entrou uma musiquinha que parecia ser de Richard Clayderman. Depois de uma dezena de tentativas que consumiram uma hora conclui: é pegadinha! Não existe atendente algum.

Amigos, botamos o Rio no chinelo. Lembram desta marchinha: "Rio de Janeiro/ Cidade que nos seduz/De dia falta água/De noite falta luz/ De dia falta água/ De noite falta luz..." Nos superamos: de dia falta água e luz e de noite falta luz e água. Alguém retrucará: não deu para tirar nada de bom desta experiência?

Solito, sem luz e sem água, diante da escuridão do mundão, fui remetido aos tempos das picadas. Lembrei de "A Ferro e Fogo" do extraordinário Josué Guimarães. Também me senti um pouco europeu. Dizem que o francês não é lá muito chegado a banho.

Senhores políticos. Se alguém ainda pensava em privatizar isto ou aquilo a lição foi dada: pode parecer uma verdade exagerada, generalizada, mas eu diria o seguinte: no Brasil, tudo piora. Principalmente o privatizado.

Escrevo sobre a falta de luz e água porque o futebol ficou em segundo plano. Foi salvo por um bom samaritano. Um vizinho encontrou por um acaso um carro da Equatorial. O motorista se dispôs a vir até a minha rua e chamou um caminhão. Era domingo e passavam das 19h. Não fosse isto e estaria sem luz e água ainda.

De tudo que li, fico com o vereador Edivilson Brum, do MDB: “O contrato é claro e se a CEEE Equatorial não estiver cumprindo, o governo pode denunciar e suspender a concessão”. E, obviamente, processar os responsáveis pela empresa.