Hiltor Mombach

Ténico medalhão com currículo não dá caneco no Íbis

Imagine e cena.
O Internacional ainda respirando o tricampeonato brasileiro, o torcedor gremista carregando as suas cicatrizes, e entra na sala do Velho Casarão Alberto Galia para anunciar o novo treinador como quem revela o redentor.

Imagine o ar pesado, o clima de ansiedade: o drama do gremista é o mesmo do jejuador que vê, ao seu lado, alguém se enlambuzar com as mais finas iguarias.
No clímax, Galia dispara de uma vez, como quem quer acabar com a agonia: o nome é Valdir Espinosa!

O ouvinte, espantado, atônico cometeria tão-somente uma pergunta: Espinosa?
O Grêmio iria atrás do seu primeiro título brasileiro como um treinador ainda cheirando a jogador, um moço de 36 anos? Então o messias era aquela vice-campeão gaúcho em 1979 no comando do Esportivo de Bento Gonçalves?

O futebol é carregado de preconceitos. O torcedor clama pelo novo, mas na hora H mata e morre pelo medalhão. Não um medalhão qualquer: um com currículo. Esquece que a imensa maioria dos medalhões forjaram seus currículos em times recheados de estrelas, de jogadores fora-de-série. Coloque um medalhão num Íbis! Veja se um medalhão transforma um Figueirense ou Chapecoense em campeão do Brasileiro. Por trás do medalhão há quase sempre um clube milionário, abastado.
Meu querido amigo Valdir Espinosa escreveu sua história no Grêmio. Com ele o clube ganhou uma Taça Libertadores da América e o Mundial. Imagino um Galia esfuziante declarando “viu, eu não disse, era era o melhor”.
Tite havia sido campeão gaúcho com o Caxias. Saiu do Interior para treinar o Grêmio. Levou o time à conquista da Copa do Brasil de 2001, o último grande título do clube. Na final, vergou o poderoso Corinthians por 3 a 1 no Morumbi. O querido amigo Tite saiu do Interior, mas muito do Interior ainda caminha com ele. Festejo isto. Aqui, abro um parêntese para repetir que seu primeiro clube como treinador foi o meu Guarany de Garibaldi. Do Guarany para a Seleção Brasileira.
Mano Menezes saiu do Caxias para trazer o Grêmio novamente à Série A do Campeonato Brasileiro, de onde jamais deveria ter saído . Felipão voltou do Qadsia SC 1993 para empilhar canecos no Grêmio.
Rubens Minelli deixou o Palmeiras em 1971, passou por Portuguesa e Ponte Preta e, em 1973, foi campeão pelo Rio Preto. No final de 1973, estava no Inter, onde começou a escrever a sua imortalidade.
Dezenas de fatores levam um treinador a ser vencedor ou fracassar. Não sei se Falcão terá sucesso nesta sua terceira passagem pelo Inter. Por ser seu fã, torço para que se saia bem. Sou sabedor de que ele terá que tirar leite de pedra, pois este Inter é um saara de nada: quase todos os jogadores estão sucumbindo diante da mais completa ausência de esquema tático.
Mas Falcão, com os demais, é uma loteria, uma aposta.
A diferença é que algumas apostas custam o olho da cara e nem identificadas com o clube são.
Outras, cabem no bolso e choram quando saem.