Ivandro Morbach é vice presidente do Inter e um dos líderes do O Povo do Clube. Trata-se de um movimento que vem sendo centro de muitas polêmicas, a última delas recentemente quando os conselheiros do Inter votaram a questão das debêntures. O clube pretendia buscar R$ 200 milhões em bancos e uma das garantias era o estádio Beira-Rio. Segue entrevista com Morbach.
Pergunta: O conselheiro Leonardo Aquino fez uma manifestação na reunião que não aprovada a alienação do Beira-Rio. Frase dele: "Vocês não queriam cercar o estádio e querem alienar agora". A frase foi dirigida para os integrantes do Povo do Clube, movimento do qual o senhor é o líder ou um dos líderes. Como explicar?
Morbach: São coisas distintas. A modernização do Beira-Rio foi concebida sob a concepção de integração do estádio com a cidade. Além disso, existem os bares, as lojas, o restaurante e o próprio museu do Clube que é uma das atrações mais visitadas por turistas em Porto Alegre. Por tudo isso entendo que a nossa casa deve sempre ser aberta para a livre circulação das pessoas. Já a alienação serviria para uma estratégia de enfrentamento ao endividamento do clube, o que se faz necessário e urgente. Não há contradição alguma.
Pergunta: A doutora Cristina Dornelles afirma que as elites dominaram o Povo do Clube e conseguiram poder perseguindo os que eram contrários. Isto é fato.
Morbach: De forma alguma.
Pergunta: É do senhor frase “o clube não tem autorização do CD para pedir liberação para vender (parte do terreno) e construir duas torres. A torcida, como dona, precisa discutir.” Construir duas torres, que agregaria patrimônio e renda. Como o senhor liderou uma campanha para alienar o estádio?
Morbach: Também são coisas distintas. Ajudei a liderar um movimento de oposição à construção das torres dentro do Complexo do Beira-Rio que, na minha opinião, traria profundos prejuízos à operação dos jogos e para a experiência da torcida. Daquele processo, surgiram outras alternativas muito mais vantajosas para o clube que já estão em análise.
Pergunta: Thiago Neibert, dissidente do movimento que o senhor lidera, afirma que o Povo do Clube é "movido a fisiologismo. É fato?
Morbach: Claro que não.
Pergunta: O desembargador Guinther Spode escreveu ser um desatino a proposta das debêntures. A frase de Spode: "Na proposta das debêntures, a gestão tentou esconder da opinião pública, dos conselheiros, dos associados e dos torcedores em geral, que o nosso Beira Rio, que hoje está registrado no Ofício de Imóveis em nome do Sport Club Internacional, seria transferido para o nome de um banco ou de uma financeira." A sua gestão vendeu a ideia de que o Beira-Rio não corria nenhum risco. Como explicar?
Morbach: Tínhamos a segurança de que o Beira-Rio não corria nenhum risco. Pelo contrário, a captação de recursos destinados ao enfrentamento do endividamento, com juros menores e mais prazo, protegeria o nosso patrimônio. De qualquer forma, o Conselho tomou a sua decisão de forma soberana e hoje a gestão já trabalha com outras alternativas.
Pergunta: O Povo do Clube começou como Oposição ferrenha e acabou barganhando cargos. O senhor acha que o movimento perdeu a identidade.
Morbach: Considero a premissa totalmente equivocada. O movimento, mesmo na oposição, nunca mediu esforços para o diálogo e construção. Agora na situação, nos unimos a um projeto estratégico para o clube que eu resumiria e dois pilares: profissionalização e identidade.
