TAISON, CÉU E INFERNO
Nelson Rodrigues abriu assim uma das suas crônicas: "Ninguém confessa virtudes e repito: - a simples confissão de virtudes não interessa nem ao padre, nem ao psicanalista e nem ao médium, depois da morte".
Estou a vasculhar sites e blogs quando deparo com uma declaração de Taison: "Eu disse para Fossati que tinha perdido um pouco de confiança, mas que ela ia voltar". Confessou mais: perdeu, não sabe onde, a agudeza. Ora, se perdeu a agudeza, perdeu tudo. O Taison que os colorados admiravam era admiravelmente agudo, vertical, decidido.
O primeiro passo para a reabilitação de Taison foi dado: a consciência de que perdeu algo pelo caminho.
Escrevo porque este menino de 22 anos entrou muitíssimo bem na partida contra o Estudiantes. Numa verdade talvez exagerada, diria que foi decisivo. Entrou aos 18 minutos do segundo tempo para inquietar o sistema defensivo do rival, acostumado até então com um Walter movediço lateralmente e um Alecsandro enfiado no meio. A agudeza de Taison será a maior alternativa de mudança de postura no jogo de volta, na Argentina, caso isso se faça necessário.
Taison já conheceu o céu do elogio exagerado e o inferno da crítica mordaz. Sim, porque, quando o assunto é futebol, somos levados a opiniões definitivas, como se nós mesmos não vivêssemos de altos e baixos.
Por ironia do destino, que tantas peças nos prega, quem move este princípio de recuperação de Taison é um sujeito que, no Beira-Rio, não conheceu o céu por ter vivido tão somente o inferno das críticas: Fossati. Um Taison comovido declarou, não vai muito, da sua imensa felicidade de ter ouvido, após a partida contra o Cruzeiro, a seguinte frase do seu comandante: "Esse é o Taison que eu conheço".
Acrescentaria: esse é o Taison que o Inter precisa.
