Tempo
Eu ia escrever sobre o ghost-writer. Li que Figueiredo, que não gostava de discursar, tinha como ghost-writer o professor Leitão de Abreu. Leitão de Abreu foi um notável gremista. Ia falar sobre o ghost-writer, mas decidi que meu assunto neste sábado será o agora treinador Falcão.
É incrível como 17 anos sem treinar não fizeram diferença alguma para o elegante Falcão. Retornou igual, reivindicando tempo. Todo o tempo do mundo não é tempo suficiente para um treinador. Não sei se o senhor ou a senhora já perceberam que todo treinador precisa de muito tempo. E, quanto mais tempo lhes é dado, mais eles necessitam. Mas eu dizia que Falcão reivindica tempo. E, sem malícia alguma, vai precisar.
Em 20 dias sua maior façanha foi enredar-se entre dois sistemas táticos, com um ou dois atacantes. Nisso, Roth tinha convicção: um. O mais incrível é a involução do Inter em campo: a cada jogo, o time consegue piorar. Do minguado 1 a 0 contra o modestíssimo Santa Cruz em pleno Beira-Rio ao vexame da derrota, também em pleno Beira-Rio, para o Peñarol, o Inter regrediu três saaras. Roth deve estar gargalhando. A pouca agudeza do tempo de Roth foi transformada num futebol tico-tico de uma esterilidade ofensiva quase completa. Mas nem tudo está perdido e as coisas podem melhorar. Só há de se esperar. Um bom tempo.
