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Venho publicando faz tempo as pesquisas sobre torcidas no Brasil. E buscando explicações para alguns fatos. Rebaixado duas vezes, o Grêmio atinge atualmente seu maior percentual de torcida desde 1993, 4% no país, segundo o Datafolha. Rebaixado em 2002 (no ano passado novamente) o Palmeiras aumentou sua torcida no ano seguinte ao primeiro rebaixamento em um ponto percentual, subindo de 7% para 8%. Campeão da Libertadores e do Mundo em 2006, o Inter caiu um ponto no ano seguinte, passando de 3% para 2%, subindo novamente, para ficar nos 2% em 2012. } Multicampeão na década de 90, o São Paulo subiu um ponto percentual (de 8 para 9%) desde 1993.Num belo trabalho, embora um tanto ufanista, sobre “futebol e desenvolvimento socioeconômico”, a FGV Projetos, uma unidade de extensão de ensino e pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, aponta: “Não se conhecem casos de torcedores que mudam de clube em razão da não conquista de campeonatos ou à relegação a divisões inferiores. Este fato, fidelidade a uma marca no futebol, é de suma importância para o seu marketing. Não há fidelidade a produtos ou serviços em nenhuma outra indústria na proporção que existe no futebol. Portanto, não se trata de satisfação do produto. É uma relação emocional, na maioria das vezes de sofrimento, que pode ser convertida ou até explorada como uma relação comercial."
“O futebol funciona como a melhor forma de proporcionar às pessoas uma identificação: seja pela origem que as liga a grupos, seja porque cada clube não é objeto de compra ou de venda, o que as torna presas a um lugar. O torcedor, com raras exceções, tem por seu clube do coração uma “ideologia” imutável. Ele pode mudar de profissão, de país, até de mulher ou de marido, mas não muda seu time, independentemente, inclusive, da performance técnica.”
Ainda: “O tamanho da torcida é o principal fator na determinação do potencial de receita de cada clube. Bens materiais e jogadores são comprados, mas a torcida está relacionada à tradição, ou seja, a um relacionamento histórico do torcedor com o clube.” O Flamengo tem um dos maiores potenciais de receitas do Brasil, que não faz valer por culpa de administrações amadoras. Já o Corinthians teve em 2012 o maior faturamento entre todos os clubes do país.