Bom dia Hiltor,
Li a resposta do ilustríssimo deputado Raul Pont. Pensei em não responder, mas não posso deixar passar em branco quando uma figura pública importante como ele classifica toda e qualquer crítica à sua posição como ações "pautadas pelo fanatismo e preconceito".
Quero esclarecer apenas o item "a", na qual o deputado fez referência direta à minha pessoa.
O terreno onde hoje está a sendo construída a Arena não pertencia ao Estado. Era uma área que o Estado doou para o Círculo dos Operários, mas com uma cláusula de inalienabilidade ("A cláusula de inalienabilidade, imposta aos bens por ato de liberalidade, implica impenhorabilidade e incomunicabilidade").
Além disso, aquele terreno só poderia ser utilizado para a construção da Universidade do Trabalho.
Baseado nestes fatos, faço a pergunta: como o Estado pode ceder à construtora OAS e ao Grêmio algo que não é mais seu (no caso, o terreno)?
A participação do Estado nesta questão se resumiu única e exclusivamente à retirada da cláusula de inalienabilidade daquele terreno e a gravaçao desta cláusula no terreno da Restinga, permitindo assim que o Círculo dos Operários o vendesse para a OAS.
Além de adquirir o terreno (numa transação com valores na casa dos R$ 40 milhões, fazendo o pagamento para o Círculo dos Operários - que era o dono - e não para o Estado), a OAS ainda teve/terá de cumprir com as seguintes obrigações:
1 - Construção da Universidade do Trabalho no Bairro Restinga (Estrada Costa Gama)
2 - Construção da Escola Estadual Oswaldo Vergara, de primeiro grau, que estava situada no terreno da Arena, COM IDÊNTICAS DIMENSÕES DO PRÉDIO LÁ EXISTENTE, num terreno indicado PELO ESTADO.
3 - Construção de oito salas de aula e demais dependências para substituir dois prédios de madeira que existiam junto ao Colégio Estadual Carlos Fagundes de Mello, no Bairro Humaitá
4 - Ampliação de duas salas de aula no atual prédio da Escola Estadual Danilo Antonio Zaffari, no Bairro Navegantes
Para que a inalienabilidade fosse retirada do terreno, os itens 2, 3 e 4 desta lista deveriam ser cumpridos. Ou seja, tais obras já foram realizadas pela construtora, ficando pendente apenas o item 1.
Vale ressaltar também que estes 4 itens citados acima eram obrigação do CÍRCULO DOS OPERÁRIOS, mas como o mesmo não possuía recursos, estes investimentos foram colocados na conta da OAS, como PARTE do preço do terreno.
Espero ter esclarecido a questão para todos, não só para o Deputado Raul Pont. Ao contrário do que ele fez, não classificarei as suas colocações como "pautadas pelo fanatismo e preconceito", mas pela clara falta de informação.
Saudações Tricolores,
Giuliano Rossoni Vieceli
Conselheiro do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense
