Hiltor Mombach

Transparência 100%

Há uma palavra que ainda intimida a imensa maioria dos dirigentes de futebol brasileiros: transparência.
Não estou falando desta transparência quase fictícia de cumprir a obrigação de publicar os balanços anuais numa linguagem ininteligível, decifrados apenas por doutores em contabilidade, mas de uma transparência transparente, se é que me compreendem.
As notas fiscais dos clubes, por exemplo, deveriam estar publicadas no site oficial. Assim como os gastos individuas de cada cartão corporativo, numa prestação de contas ao associado.
O dirigente leva alguns empresários para tratar de negócios num restaurante, vai garrafa de vinho, vem garrafa de vinho, e a conta sai salgada, R$ 20 mil ou mais. Qual o problema de a nota fiscal ser publicada se há como explicar e justificar tal gasto? Nenhum.
O dirigente está servindo ao clube, não confundir como se servindo do clube, tem gastos com gasolina, e no final do mês a nota fiscal registra, por exemplo, R$ 30 mil. Qual o problema de ser publicada se há como explicar e justificar? Nenhum.
O dirigente está servindo ao clube e decide pagar tapioca com cartão corporativo. Qual o problema disto ser publicado se há como explicar e justificar? Nenhum. Não é o mesmo caso do ministro que ficou famoso quando pagou tapioca com dinheiro público por meio do cartão corporativo. No caso do dirigente, o dinheiro é do sócio.
O clube contrata uma assessoria para elaborar um destes planos de captação de recursos via bancária, paga R$ 500 mil, por exemplo, o plano não é lavado a cabo por circunstâncias diversas, qual o problema de ser publicada a nota de quem recebeu o dinheiro se há como explicar e justificar? Nenhum.
Em Cabul, houve um caso parecido.
O dinheiro pago jamais apareceu em balanço algum.
Alguém poderá sugerir que atingi o ápice da minha demência ao sonhar com clubes verdadeiramente transparentes.
Pode ser.
Mas minha convicção diz que só isto tirará as entidades deste eterno estado pré-falimentar.
O que eu prego é transparência 100%.