Hiltor Mombach

TROPAS EM ALERTA CONTRA ATAQUES XENÓFOBOS

TROPAS EM ALERTA CONTRA ATAQUES XENÓFOBOS

O jornal The Times, de Johanesburgo, traz na capa a seguinte e preocupante manchete: "Troops on alert for xenophobics attacks" (Tropas em alerta para ataques xenófobos). Segue: "Os boatos do retorno do ódio - dois anos após os sul-africanos atacaram estrangeiros levaram quatro caminhões do Exército, acompanhados por viaturas da polícia, a patrulhar as ruas da localidade, enquanto líderes comunitários e policiais realizaram uma longa reunião na noite, com vista a evitar uma repetição dos ataques de 2008. Um dos bairros que está a ser vigiado pelas forças de segurança é o de Ramaphosa, nas imediações de Boksburg, a leste de Joanesburgo, onde há dois anos a morte de um imigrante moçambicano, queimado vivo por sul-africanos, fez as manchetes da imprensa local e internacional.
A polícia recebeu vários pedidos de proteção de centenas de estrangeiros e muitos, sobretudo oriundos do Zimbabué, sairam da África do Sul nos últimos dias, devido a rumores de uma vaga de ataques contra imigrantes de várias nacionalidades logo depois da final do Mundial 2010, no domingo.
Agindo sobre a informação de que alguns moradores estavam planejando novos ataques contra estrangeiros após a Copa do Mundo o comandante da estação, Kenneth Mashaba, convocou uma reunião de emergência ontem à noite com moradores Ramaphosa e seus líderes. Ele disse que a polícia estava trabalhando com o exército para patrulhar a área e que uma reunião de estratégia adicional, envolvendo a Força de Defesa Nacional será realizada hoje. "Estamos conscientes de que há instigadores na comunidade. Mas nós dizemos a eles, estamos prontos. Se nós morremos, nós morremos. Vamos combater fogo com fogo", advertiu Mashaba. Entre aqueles que participaram da reunião de ontem à noite, o empresário local somalis Abdul Ismail, que disse ter sido ameaçado. "Foi-me dito por membros da comunidade que vieram até a minha loja que meus dias estão contados e que eu deveria começar a embalar minhas coisas". Os ataques de 2008 causaram a morte de pelo menos 60 pessoas.