Hiltor Mombach

Um balanço do Inter

Entrevista com Sandro Farias, que comanda o departamento de Controladoria e Transparência do Internacional.


Como o Inter termina o ano financeiramente?
Após um início muito difícil, estamos conseguindo um equilíbrio no fluxo de caixa que tem por fundamento a manutenção dos gastos e investimentos do do futebol em dia, ampliando receitas e controlando custos. Estou otimista. A divulgação dos números finais de 2015 reafirmará o Inter como o maior clube de futebol no RS, com melhoria nos nossos resultados comparados a nós mesmos e aos demais competidores.


Qual a projeção para 2016?
Foi aprovado por unanimidade no Conselho nossa proposta de um orçamento altamente corajoso e desafiador. São R$ 312 milhões de receita bruta (que incluídas receitas financeiras levam o faturamento total projetado para R$ 327 milhões). O clube estará totalmente mobilizado para, mesmo sem Libertadores, arrecadar tanto ou mais em 2016 do que em 2015. Se há um clube no Brasil que pode isso, ele se chama Sport Club Internacional. Divulgamos tudo no portal da transparecia, que foi destacado em São Paulo na Expofut 2015 como case de inovação em gestão esportiva.


Quanto o clube fatura apenas com as mensalidades dos sócios?
Em meio a uma grande crise econômica nacional, o nosso quadro de sócios respondeu exemplarmente aos projetos da diretoria e atingiu o maior patamar da história, com receitas brutas que devem fcar na cada de R$ 70 milhões em 2015. Em 2016 os colorados continuarão dando exemplo. O desafio é arrecadar R$ 75 milhões. Não há mágica, há um trabalho estratégico que une profissionalismo e paixão. Através de um projeto denominado GeoInter, nossa VP de consulados rodou 36.000 km, indo a mais de 100 cidades e abrindo 36 novos consulados.
O que ainda dá para crescer em faturamento?
Topamos a empreitada de crescer em tudo. A diretoria vai enfrentar tudo com criatividade, profissionalismo e muito trabalho. Além dos Sócios e TV que melhorou o contrato, somente na soma dos itens patrocínio, publicidade, licenciamento da marca e exploração patrimonial estimamos mais de R$ 50 milhões. Estamos chegando no crescente mercado norte-americano através da FLorida Cup, que nos possibilitará valiosas oportunidades de divulgação e exploração da marca. Tudo isso sem falar na eventual venda de jogadores tendo em visto nosso valorizado e jovem plantel, fruto de uma clara política do clube de investir muito forte em categorias de base. Por falar em base, em 2016 o aporte de recursos programado é R$ 23 milhões, entre recursos humanos, infraestrutura e investimentos. Neste quesito, onde somos referencia nacional, há um futuro de ouro sendo gestado que é o nosso centro de treinamentos em Guaíba.
A folha de jogadores baixou quanto nesta temporada?
Estimamos uma redução média mensal de 1 milhão por mês no custo total do futebol. Em 2016 seguiremos essa política, onde um dos pilares é a maior pagamento em salários e encargos em detrimento de direto de imagem, conforme exige o Profut. Há espaço para diminuir, mas em hipótese alguma perderemos competitividade com um plantel jovem e qualificado.


Qual a folha dos jogadores?
Em novembro a folha de jogadores profissionais e comissão técnica ficou em R$ 7,5 milhões, incluído encargos e direto de imagem.


Qual a dívida do Inter com os bancos o qual o custo desta dívida?
Em outubro a posição é de R$ 65,8 milhões de dívida bancária. Temos tratado com toda clareza este assunto, apresentado no Conselho e divulgado no portal da transparência que indica até as datas de vencimento. No primeiro semestre pagamos aproximadamente R$ 20 milhões em empréstimos. A estratégia do novo financiamento foi muito adequada a nossa realidade, pois quitou dívidas bancárias passadas, alongou o endividamento, permitiu renegociações e equalizou o fluxo de caixa.
Como andam os projetos para o entorno do estádio?
Conforme amplamente divulgado foi aberto ao mercado e eventuais interessados a oportunidade de mera manifestação de interresse. O resultado está no portal da transparência. O potencial é imenso. Tudo será levado ao Conselho Deliberativo.
Quanto o Inter deve em dólar e euro?
Iniciamos a gestão com R$ 12 milhões devidos em dólar, hoje reduzimos para R$ 3 milhões. Estamos repactuando débitos para que não haja devidas em moeda estrangeira.


Quando o Inter precisa só para abrir o Beira-Rio?
Para um jogo de 30 mil pessoas estimamos R$ 400 mil. A operação do estádio custa R$ 1,5 milhões por mês, onde só a energia elétrica é em média R$ 300 mil/ mês. É o preço de termos um dos maiores complexos esportivos do mundo, numa posição geográfica ímpar e com um potencial fabuloso. O beira rio hoje é o maior ponto turístico de Porto Alegre e isso só vai melhorar.


A Brio vem pagando o empréstimo para reforma do estádio em dia?
Nunca nos foi relatado atrasos nesse empréstimo, cuja responsabilidade é da Brio.


O Inter pensa em comprar a parte administrada pela Brio?
Isso não esta em pauta. Nossa relação é excelente. Atualmente estamos ajustando um encontro de contas para compensação de débitos. A Brio é uma afortunada parceira que vem ampliando a exploração dos espaços a que tem direito por contrato. Era sabido que a rentabilidade seria progressiva. De nossa parte, o sócio e torcedor colorado, principal consumidor das lojas do entorno, vem sendo beneficiado pelo crescimento das ofertas de comércio e serviços.