Hiltor Mombach

Um encontro com Manguita, a lenda

O Inter comemorou os 40 anos do primeiro Brasileiro.
O time começava por Manga.
Vai tempo a revista italiana Guerin Sportivo elegeu os 100 melhores goleiro do mundo.
Sem Manga.
Na época fiz uma coluna sobre a falha grosseira de uma revista tão importante.
Retiro trechos.

Haílton Corrêa de Arruda, o Manga, o Manguita fenômeno de dedos tortos, imune à dor, que dispensava as luvas para voar e promover defesas milagrosas, rosto marcado pela varíola, é dez oceanos o meu melhor goleiro do mundo.
Não estou aqui nostálgico retocando imagens da minha juventude, fantasiando como quem cria um herói, embora assim como uma geração de torcedores eu seja suspeito para escrever sobre Manguita.
A diferença entre Manga e todos os demais é que os demais foram transformados em goleiros e Manga nasceu goleiro.

Mas pode haver uma explicação para o nome de Manga não constar na Guerin Sportivo.
Como se vê, a revista relaciona os 100 melhores goleiros do mundo.

Manga, amigos, não faz parte desta categoria.
Manga abre outra lista, a das lendas.
Ali, ele é o número um.
Em 1993 eu estava em Guayaquil, no Equador, cobrindo a Copa América. Encontrei Manga, que atuara no Barcelona local. Ele me fez um pedido. Queria voltar a Porto Alegre como treinador de goleiros do Inter. No retorno, falei com o então presidente Pedro Paulo Záchia. Topou repatriar o ídolo, que é parte da história do clube.
Por questões que eu nunca fiz questão de saber, Manga não poderia desembarcar no Brasil. Dei o telefone do goleiro para seus familiares em Porto Alegre.
Em 2010  Fernando Carvalho, então vice de futebol, conversou com Manga em Guayaquil.
Viabilizaram o seu retorno.
Ele ficou no Beira-Rio até 2012, quando pediu desligamento.