Sou saudosista assumido, mas a coluna que irei transcrever não trata apenas de valorizar o passado por escancarar uma verdade absoluta e irretocável.
Vai algum tempo, o futebol vive aquilo que chamamos de profissionalismo.
No começo, profissional era todo aquele sujeito remunerado num clube, mesmo que não entendesse bulhufas do riscado.
Nem sempre foi assim. Já vivemos o tempo glamouroso do amadorismo. Era o tempo do amadorismo mais profissional que se tem notícia. Sem ferramentas como plataformas de gestão de clubes , softwares de análise de desempenho, dados de jogadores e táticas e outros acessório, apenas no olhômetro, no conhecimento, o Inter montou um dos maiores times de todos os tempos na década de 70 e o Grêmio fez o mesmo depois.
Publico novamente trechos da última entrevista concedida por Fábio Koff e postada no Correio do Povo de 13 de agosto de 2017. Neste relato, para este colunista e para o companheiro Carlos Corrêa, o icônico presidente fala sobre como foi montado o Grêmio de 1995.
COMO VEIO ARCE
“O Danrlei vinha da base. O Arce foi um telefonema espontâneo e desinteressado do Valdir Espinosa, que tomou a iniciativa de me indicar o Arce, que jogava lá no Paraguai.
Rivarola eu fui comprar por indicação do Felipão. O Adílson voltou do Japão e estava com problemas de lesão, já tinha passado por cirurgias. Roger também estava na base. Roger, na verdade, foi escolhido pelo Felipão que viu ele treinando em um grupo escolar.
TEMOS CENTROMÉDIO
O Dinho foi uma destas coisas do futebol. Em um domingo, estava veraneando em Torres e recebi um telefonema do então presidente do Santos, que me contou que havia esgotado as tratativas com um jogador e se havia interesse da nossa parte nele, que me vendia por R$ 300 mil. Eles tinham feito uma operação e precisavam de R$ 300 mil. Tá bem, eu compro. Comprei e aí que telefonei para o Felipão: ‘Temos centromédio.
Contratei o Dinho, que era do São Paulo, do Santos’. Ele então respondeu: ‘Me serve’. Isso foi num domingo. Na quarta-feira, o Grêmio ia jogar em Belém do Pará e fui junto. Aí quando fomos treinar, estava terminando o treino do Remo. O Felipão então chegou para mim e disse: ‘Presidente, o senhor não quer dizer para o Verardi ver se este rapaz, o Goiano, não quer ir lá para o Grêmio? Este me serve, eu fico com a meia cancha da Libertadores do São Paulo, me serve’. Aí avisei o Verardi para já colocar uma passagem à disposição dele.
E BEM...JARDEL, VAMOS AO JARDEL
Há coisas que acontecem no futebol que não têm explicação. E bem... Jardel. Vamos ao Jardel. O Felipe não estava bem no Grêmio e achava que iam colocar ele na rua. Então queria falar comigo, chamei então para almoçar comigo. Almoçamos e ele me pediu para ligar para o Eurico Miranda porque o Vasco estava emprestando um centroavante que interessava ele, o Jardel. O Vasco estava emprestando ele parece que para o XV de Piracicaba. Peguei e liguei para o Eurico: ‘Tu tens um jogador aí que me interessa. Não faz negócio ainda, espera um pouco que vou definir, mas quero esse jogador’. Ele me perguntou quem era e quando disse que era o Jardel ele só falou: ‘Leva esta m... Ontem, quando anunciaram o nome dele no banco de reservas já foi vaiado’. E veio assim o Jardel.
E PAULO NUNES?
O Paulo Nunes veio na transação do zagueiro Agnaldo. Fui fazer negócio lá no Flamengo e eles tinham uma lista com cinco jogadores. Na hora que estava saindo no pátio, o Paulo Angioni me cumprimentou e me disse para levar o Paulo Nunes e o centroavante Magno. E vieram os dois. Para ver como acontecem essas coisas.”
COM O DESEJO DE UM FELIZ NATAL. SAÚDE
