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Nelson Rodrigues dizia que “o patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente”. Aqui estou lembrando de um tempo em que um Grêmio multicampeão viu seu destino ligando a terra com o céu. Protegido por este fenômeno, marcava gols como queria. Como contra o Corinthians, pela Copa do Brasil de 1997. Eram 24min e o Grêmio não tinha criado uma chance de gol quando o atacante Paulo Nunes arriscou um cruzamento e… gol contra. Sete minutos depois gol de…Paulo Nunes. Um chute a gol, dois gols. Marcava até de barriga. Nas quartas de final da Libertadores de 1995 deu uma sova no Palmeiras no estádio Olímpico, aplicando 5 a 0, e safou-se por um triz em São Paulo, num 5 a 1 eletrizante, com o grandalhão Jardel anotando o gol salvador de barriga, que abriria o placar no Parque Antárctica. Finalizaria a campanha com o título. Quando Jardel não chutava a bola, a bola chutava Jardel. E, como num milagre, entrava no gol adversário. Sem ter mais como adjetivar aquela máquina de fabricar vitórias e títulos, um colunista sentenciou ser o Grêmio, pela sua pertinácia, o mais alemão dos times nacionais. Que Grêmio! Hoje, o passado se insinua no presente para apontar para um outro fenômeno: a ligação entre a terra e o inferno. Sempre falta alguma coisa. Há sempre um desastre à espreita. E mais: os desastres acontecem repetindo uma lei Murphy, aquela que diz que “se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.” Quando a classificação está ali, na mão, acontece uma tragédia. O Grêmio tornou-se o que era o Internacional na década de 90: um time adverbial, o time do quase. Não, não vou encerrar esta coluna sem uma frase de esperança. O ditado diz que “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe.” O ditado diz e o futebol nos ensina isto.