UMA COPA PARA SER ESQUECIDA
Termina amanhã a Copa da África do Sul. Em termos de futebol, não vai deixar saudade. Não se viu nada novo. Enlataram o futebol. Em nome do esquema tático, matou-se a improvisação. Estão engessando os craques. Ainda vão proibir o drible, a jogada individual. Sobre esquema tático: são todos japoneses. O esquema do Japão não é muito diferente do das Coreias, que se assemelha com o da África do Sul, que copiou os europeus... A novidade é que os times europeus parecem mais soltos do que os sul-americanos. Eles tentam evoluir e, nós, regredir.
Só depois que vi o Brasil em campo contra a Coreia do Norte é que tive a convicção mais convicta de que Dunga havia errado feio ao não trazer Ronaldinho Gaúcho. Ronaldinho faz falta numa Copa. Uma Copa tão carente de Ronaldinhos que buscou um polvo como atração. O polvo Paul ganhou mais manchete do que Messi e Kaká. Juntos. Mas Ronaldinho não fazia parte da igrejinha de Dunga. Não vou atacar o treinador agora. Antes da Copa eu estava em dúvida: Ronaldinho deveria ser chamado ou não? Agora eu sei. Deveria. E Dunga deveria saber disso. Não sabia.
Minhas seleções favoritas foram caindo feito moscas. Não pela ordem de queda, mas de preferência: Brasil, África do Sul, Alemanha, Uruguai, Paraguai... Chego à final sem saber para quem torcer. Tanto faz Espanha como Holanda. No contexto geral, não jogaram mais nem menos do que Brasil, Alemanha, Argentina, Inglaterra... Nesses tempo de futebol enlatado, o mais persistente, e não o melhor, leva o caneco. Hoje estou assim: que ganhe quem jogar melhor ou, se preferirem, o menos ruim. É triste, aborrecido, chegar-se a um dia como este, depois de 40 dias andando para lá e para cá, sem ter um time para torcer e, como agravante, sem ter quem secar. Ah, se pelo menos a Argentina tivesse sobrevivido!
