Hiltor Mombach

Uma história e tanto

Dia 30 de outubro de 2013. Jogavam Atlético-PR e Grêmio no estádio
Durival Britto, em Curitiba, pela semifinal da Copa do Brasil. Termina o
primeiro tempo e um torcedor da Geral do Grêmio joga um tênis no gramado.
O árbitro Ricardo Marques Ribeiro registraria em súmula:
“No intervalo da
partida, quando a equipe de arbitragem dirigia-se ao vestiário, foi
lançado próximo a equipe, porém sem atingir nenhum dos seus integrantes,
um tênis, advindo de onde se encontravam torcedores identificados com
camisas da equipe do Grêmio.”
O Grêmio faria o segundo jogo na Arena e a direção temia que, se passasse
pelo Atlético-PR, poderia perder o mando de campo na decisão.
Por amizade a um sócio do Grêmio e a um conselheiro do clube, um torcedor,
que prefere não se identificar e que atende pelo apelido de Pit Bull,
disse a um dirigente do Grêmio presente ao estádio que assumiria a culpa
pelo tênis atirado em campo.
Levado ao juizado, Pit Bull assumiu a responsabilidade pelo que não havia
feito. Suspeitando da inocência do torcedor, o delegado ainda perguntou se
que sabia das consequências do gesto.
Decidiu-se que Pit Bull não poderia mais ir a campo durante cinco anos,
entre outras penalidades. Agradecido, um dirigente do alto escalão do
Grêmio chegou a prometer uma cadeira na Arena ou, no mínimo, uma camiseta.
O Grêmio foi eliminado pelo Atlético Paranaense no jogo de volta, Pit Bull
acabou esquecido e espera até hoje pela camiseta. Perguntei se ele
repetiria o gesto: “Não, de jeito nenhum.”