Vai algum tempo fiz uma coluna que começava assim: "Quem é o dono da Seleção Brasileira?".
Disse que a Seleção Brasileira pertence ao patrimônio cultural da Nação.
Ou, pelo menos, deveria.
Há anos escrevo sobre os dois Brasis.
Há um Brasil nababo, que se alimenta de ostras e filé mignon e ataca de Dom Pérignon e caviar e um Brasil que entra na fila osso.
A turma da Seleção Brasileira e seus penduricalhos desconhece o Brasil que compra osso.
Perguntei quem é o dono da Seleção Brasileira.
De forma pueril diria: o povo.
Nelson Rodrigues escreve em uma das suas crônicas: "Foi a Bernard Shaw, parece, que perguntaram sobre a multidão.
Uma pergunta idiota, mais ou menos assim: — “Que é que o senhor acha da multidão?”.
E ele retrucou: — “Gosto ou desgosto de quem tem uma cara só”.
A CBF gosta de quem tem cara e escancara cifrão.
Povo não tem cara, é povo.
Durante quase uma hora um Brasil composto por privilegiados, engravatados, seleto, com patrocinadores, financiadores e executivos, assistiu a convocação da Seleção do Brasil para a Copa do Mundo.
O povo?
O povo foi convidado para mandar energias positivas para a Seleção.
De longe, obviamente.
Nunca se pensou numa convocação num estádio para 70, 80 mil pessoas?
A CBF é uma entidade que deveria representar a todos nós brasileiros, não?
Explica-se porque a Seleção está tão distante do Brasil.
Uma Seleção distante do Brasil
Vai algum tempo fiz uma coluna que começava assim: "Quem é o dono da Seleção Brasileira?"
