Hiltor Mombach

UMA VISÃO DO FUTURO DO GRÊMIO

Do blogue do Grêmio Imortal / http://gremioimortal.net/archives/186

Chegamos a 2012 e a questão que se coloca é o futuro do nosso Grêmio. Olhando o passado recente não há como negar o desânimo. Desde o final dos anos 90 ganhamos muito pouco, aumentamos nosso endividamento de forma crescente, tivemos que amargar uma passagem pela segunda divisão e parece que não aprendemos a lição.
Mudamos o estatuto, onde conseguimos criar um modelo de governança com alguns toques de modernidade, mas relutamos em cumpri-lo.
Os movimentos políticos pouco ou nada agregaram para o Clube desde que assumiram um papel relevante. Neste aspecto vivemos em permanente conflito, onde o que menos interessa são as idéias, o Clube e seu futuro, mas sim as pessoas e quem assume o poder eventual. A cada troca de comando mudam-se as pessoas e, não raro, deixam-se de lado o que de bom estava sendo feito, para mudar por mudar, muitas vezes para pior.
Não há com negar que perdemos importante espaço em todos os níveis para o nosso coirmão. A liderança que assumimos nos anos 80, como maior torcida do sul do Brasil, está seriamente ameaçada e a tendência do futuro próximo é muito negativa neste aspecto, também como conseqüência dos erros cometidos.
No entanto há uma luz no fim deste túnel nefasto que insistimos em trilhar. Não quero ser ufanista, mas não posso esconder minha emoção, minha esperança, para não dizer minha certeza de que a Arena vai mudar o Grêmio, de forma que possamos cumprir a nossa visão de que estejamos permanentemente entre as maiores forças do futebol mundial. A transição do Olímpico para a Arena vai ser mais importante do que foi a da Baixada para o Olímpico. Temos a oportunidade única de, não apenas termos o melhor estádio do Brasil, mas também de fazermos o melhor Clube pela nossa gestão. Felizmente temos no Clube hoje a vontade política de mudar e vamos mudar.
Entendo também que a parceria com a OAS, que tem se revelado muito positiva até agora, tende a ajudar muito o Clube a mudar também, porque teremos que aprender a conviver com um parceiro por 20 anos. Uma parceria de ganha-ganha, construída num modelo de negócio muito inteligente.
Há, porém, muitos riscos que precisam ser considerados, sendo que o maior deles é o político. As correntes do atraso permanecem vivas, a profissionalização ainda é incipiente, nosso modelo de governança ainda tem muito espaço para melhorar, entre outros riscos que estão presentes e que precisam ser monitorados.
No cenário brasileiro há uma fortíssima tendência de valorizar Flamengo e Corinthians pela grandeza das suas torcidas. Só poderemos competir com eles com um estádio como a Arena, com uma gestão excelente e com uma visão de futuro muito eficaz, onde as categorias de base deverão ter um tratamento profissional, sendo tratadas com muito maior importância do que acontece hoje.
Enfim, estamos diante de uma oportunidade histórica de fazer do nosso Grêmio um Clube de ponta no cenário mundial. Não podemos perder de novo.


Carlos Biedermann