Hiltor Mombach

Uma visão realista sobre o Gauchão

Começa neste sábado mais um Campeonato Gaúcho.
Há muito tempo rotulei o regional de Caravana da Miséria.
Nada contra os clubes, tudo contra muitas coisas.
Em 2018, quatro clubes tiveram média inferior a 500 pagantes, com muitas bilheterias deficitárias.
O futebol mudou.
Inter e Grêmio não são mais trens pagadores, não lotam mais estádios do Interior.
Há outros atrativos concorrendo com o futebol, um deles o próprio futebol, aquele televisionado.
Os estádios continuam ruins, assim como as acomodações sem conforto, e os preços são salgados para espetáculos de qualidade duvidosa.
Por seu turno, Grêmio e Inter levam equipes reservas, quando não formadas por garotos da transição.
Inter e Grêmio não são mais trens pagadores, não lotam mais estádios do Interior, mas sustentam os clubes do Interior.
Pelo menos em tempo de estadual.
Até os quero-queros de Paraíso sabem que a televisão só investe R$ 38 milhões no Gauchão por esperar retorno nas partidas envolvendo a dupla Gre-Nal.
Sem Grêmio e Inter não haveria um tostão da TV.
Em tempo: a FGF reservou uma verba para premiar os seis primeiros colocados. Cada um receberá R$ 100 mil (excluindo a dupla Gre-Nal).
O campeão do Interior leva R$ 200 mil.
Sem a TV, os clubes do Interior não receberiam cerca de R$ 1,5 milhão cada (o dado é da FGF, com o Brasil de Pelotas batendo nos R$ 2 milhões por disputar o Brasileiro da Série B) para disputar o regional.
Mais: os clubes do Interior precisam de Grêmio e Inter para a própria sobrevivência do regional.
O contrato de televisionamento vai até 2022, mas prevê rescisão sem multa por parte da TV ainda em 2019.
Ou seja, pode não ser renovado.
Sem isto, será o fim da grana.
Recentemente, a Federação Gaúcha de Futebol divulgou uma nova tabela do Campeonato Gaúcho 2019, com os horários das partidas da primeira fase da competição, que substitui a primeira versão do documento, divulgada em dezembro do ano passado.
O clássico Gre-Nal, antes marcado para 10 de março, acontecerá no dia 17, na Arena, às 17h. Segundo o presidente da entidade, Francisco Noveletto, a mudança foi para permitir que Inter e Grêmio usem seus times principais, alavancando a audiência da TV, que ameaça com o fim das transmissões.
O Inter joga pela Libertadores nos dias 6 e 13 de março e o Grêmio nos dias 6 e 12.
O fato mostra a preocupação com uma declaração de Marcio Celso Petraglia, presidente do Atlético-PR, conhecido desafeto da Globo e homem forte do presidente Jair Bolsonaro, no ano passado.
“Quero adiantar pra vocês.
A partir de 2020 a Globo não financiará, não comprará, nenhum campeonato estadual. O último é o próximo (2019).
A Globo não quer mais campeonatos estaduais. É deficitário. Ela quer antecipar o calendário do Brasileirão para fevereiro e vender pay-per-view e publicidade do Brasileiro”.
Principais verbas da TV nos estaduais de 2018: Paulistão, R$ 121 milhões; Carioca, R$ 91 milhões; Gauchão, R$ 37 milhões e Mineiro, R$ 35 milhões.