Hiltor Mombach

UMBIGOS DO MUNDO

UMBIGOS DO MUNDO

Alguém me diz que a imprensa de Porto Alegre comete um equívoco ao rotular o empate contra o Novo Hamburgo e a derrota do Grêmio para o Pelotas como fiascos da Dupla. Afirma que agindo desta forma estamos, e aqui me incluo, relegando, desmerecendo, o bom desempenho dos times do Interior.
Este é um defeito nosso, transformarmos Inter e Grêmio em umbigos do mundo. Comparamos folhas salariais, e fim de papo. Quem ganha mais, dez oceanos mais, surge com a obrigação não apenas de vencer, mas de golear passando em campo, como quem desfila num Carnaval.
Sim, trata-se de um mea culpa. Não sei se Noia e Pelotas estavam de aniversário, isto pouco importa: importa é que se impuseram em campo, não se assustaram com o peso da camiseta adversária e jogaram mais. O Noia merecia melhor sorte. Gilmar Iser e Beto Almeida foram mais competentes na armação dos times do que Fossati e Silas. Quando se sonega esta observação, comete-se o crime de não dar crédito a quem merece nem que tal crédito seja pontual, válido por um jogo.
Alguém me refresca a memória com uma pergunta: se o Inter vergou o Barcelona, por que o Pelotas não pode dobrar o Grêmio? Estava no Japão quando do título Mundial. O orçamento do Barça para 2010 é de R$ 1 bilhão. O do Inter chega a pouco mais de 10% desse valor. Não preciso repetir o que aconteceu por lá.
Mais: ao relegar o desempenho dos times do Interior, relegamos o esforço e a qualidade dos jogadores, o trabalho da direção, a ajuda da comunidade... E esquecemos o mais importante: em futebol, a superioridade tem que ser comprovada em campo. Não comprovou, dançou.