Prezado Hiltor,
Não bastasse a pressa do atual presidente em inaugurar uma Arena inacabada, agora somos surpreendidos com mais um ato, no mínimo, precipitado, ou seja, a realização do leilão marcado para 13 de dezembro chamado “Meu Pedaço do Olímpico” (vide convite abaixo), antes mesmo de a nova diretoria tomar posse, a qual foi eleita pela ampla maioria dos associados. Convenhamos, que, para um estádio que será entregue somente em 31 de março de 2013 entendo que o atual presidente está ultrapassando a barreira do razoável quando trata de liquidação de patrimônio, o qual por direitoé de todos os sócios patrimoniais do GFPA e não apenas daqueles que derem um pouco mais através de um lance em leilão. Corremos o risco de até simpatizantes do “co-irmão” passarem a ter o mesmo direito em levar para casa um adorno do Olímpico, o que poderá ser objeto até de deboche e das piadas tradicionais pela rivalidade local.
Não tenho dúvidas de que este assunto carece de apreciação prévia do Conselho Deliberativo, e não apenas do presidente e de sua equipe de marketing. Antes de qualquer que fosse sua destinação, ainda mais que por meio de um simples leilão festivo, temos o dever de respeitar os direitos dos associados que pagaram uma vida inteira para construir e preservar o nosso patrimônio.
É incrível a ânsia desta direção em resolver tudo por si, como se não houvesse um colegiado de associados, um Conselho Deliberativo, e até mesmo um Conselho Fiscal capaz de apreciar e chancelar situações como esta. Friso aqui também o “esquecimento do presidente Duda Kroeff e de Adalberto Preis na cerimônia de “pré-inauguração” da Arena, assim como a antecipação de receitas com uma emissora de TV até 2017, sem ter passado pela aprovação do Conselho, pois o mundo sabe que trata-se de antecipação de receitas futuras. Enfim, vivemos numa era em que as decisões visam apenas projeção pessoal daqueles que comandam o clube como se não houvesse nem história, nem direitos adquiridos e muito menos futuro na vida do Grêmio. Chego a desconfiar que este Clube passou a ter dono não bastasse a submissão a que nos submetemos a uma empreiteira, o que beira o constrangimento.
Ademais, entregar o pouco de sagrado que nos restou (cadeira, pedaço da grama, etc) por meio de mais um show pirotécnico de mídia e marketing, especialmente quando estamos tratando dos poucos bens que ainda compõem o ativo imobilizado do Clube, só creio que está sendo feito pelos que dentro do campo nada tem a apresentar ao torcedor.
Perguntas que não querem calar: Por que os sócios não foram consultados sobre o destino destes bens? Cabe ressaltar que sequer o direito de preferência foi assegurado a quem detém título patrimonial. E qual a outra surpresa que ainda teremos até a posse do novo Conselho de Administração? Será que algum dos atletas revelados pela base também será vendido por leilão para dificultar ainda mais a montagem de um time capaz de encarar uma Libertadores?
De um associado indignado, meu cordial abraço.
Gustavo Schmitz, Sócio e Conselheiro
*Autorizo a divulgação