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Neste momento, uma coisa não me sai da cabeça: a progressão fulminante da catástrofe no Mineirão. Eram apenas 28min do primeiro tempo quando a Alemanha fazia 5 a 0. Cinco a zero! Ao metralhar o Brasil com uma velocidade vertiginosa lembrei do Maracanazo, da derrota de 2 a 1 para o Uruguai na final da Copa de 50. E de Sebastião Lazaroni, expatriado do país depois de três vitórias na primeira fase da Copa da Itália em 1990 e de cair nas oitavas de final diante da Argentina por 1 a 0 numa partida em que o Brasil mandou no jogo, chutando três bolas no poste. Com a brutalíssima tragédia do dia 8 de julho de 2014 Felipão se inscreve como o autor do maior fiasco já proporcionado pela Canarinho e escreve seu nome na história, agora como vilão. Não, o Brasil não assistiu ao Mineirazo: 64 anos depois do Maracanazo, Felipão nos deixa como herança eterna o Felipazo, ou, se preferirem, Felipãozaço. O Felipazo sepultou uma era, a de Lazaroni. Ele é o grande derrotado, mas a lambada doerá na carne de 200 milhões de brasileiros por todo o sempre, como um pesadelo inseparável. Ao escalar Bernard, Felipão mandou para o campo toda a sua famosa arrogância, prepotência. Deu um coice na lógica. Pretendia, com um atacante de 1,63m, desmontar a alta e poderosa zaga alemã.Não me atrevi a sequer a cogitar a entrada Bernard na vaga de Neymar na coluna de ontem. Porque na minha cabeça nem alguém saído do São Pedro, não do teatro, mas do hospício, cometeria tal asneira, escalação tão lesa-pátria. Felipão cometeu este atentado contra o Brasil. Diante de uma incomum falta de discernimento, Felipão desconheceu ou relegou o poderio de um rival gigante, atropelou a modéstia, a humildade, atributos que sempre desconheceu, sonhando, quem sabe, com Erasmo de Roterdã, autor da obra o Elogio da Loucura. Buscando a consagração por uma escalação louca, enlouqueceu o torcedor de uma vergonha jamais sentida. Aos 28min a torcida, aos prantos, começava a deixar o estádio. Que vá para o inferno, para onde Felipão gosta de mandar os jornalistas que não se alinham com seu tom militar (Felipão e Marin se merecem), esta família Felipão & Marin que tem Fred como eleito, começando as seis partidas. Jogamos seis partidas com 10. Felipão não viu um Brasil que o Brasil via. Felipão acompanhou as cinco punhaladas, o assassinato da história da Seleção brasileira, sem trocar uma única peça como quem aceita, vai a reboque da humilhação. Mudou para o segundo tempo, recheando o meio. Escrevi ontem: a prudência recomendava entrar com Luiz Gustavo, Paulinho e Fernandinho. Porque a zaga carecia do capitão Thiago Silva, porque Luiz Gustavo iria jogar fora de posição e porque não havia Neymar. Felipão enfiou no lixo a palavra prudência contra uma seleção tricampeã mundial. Entrou com Bernard, de 1,63, um pequeno em campo, sumido ao lado dos altos alemães. No segundo tempo o Brasil levou mais dois e fez um: 7 a 1. O Felipazo, ao contrário do Maracanazo e de Sebastião Lazaroni, tornou 200 milhões de brasileiros reféns eternos de piadas e galhofas. O Brasil virou chacota no mundo inteiro. Vá para o inferno, Felipazo!