Hiltor Mombach

VAGAS PARA HERÓIS E SÁBIOS

Está no site do Movimento Grêmio Acima de Tudo


De Antonio Carlos de Azambuja (Cacaio) / Sócio Patrimonial Remido


Membro do CD do Grêmio





Curioso o comportamento da mídia esportiva nacional, ante a participação e a desclassificação do Grêmio na Libertadores.

Desde o inicio, muito antes mesmo do fracasso, éramos o Patinho Feio entre os seis outros brasileiros na competição. Algo que simplesmente se confirmou agora.

Com efeito, se se pode creditar esse desprezo à histórica subestimação das nossas conquistas – inclusive as do nosso TA - por preconceitos regionais, não é menos verdade que isso também se deu pela irrelevância de nossa história recente no concerto hierárquico do futebol gaúcho e brasileiro.

Tanto o desempenho na disputa, quanto a contundência (para nós) da derrota passaram quase despercebidos pelos grandes meios de comunicação nacional. Como se já soubessem que não íamos chegar a lugar algum, reduzidos à condição de meros figurantes da cena continental, talvez até penetras nela.

Seguramente, isso se deve aos sucessivos e extensos fracassos em que incidimos nestes últimos e intermináveis anos. Não é, pois, por causa do Santa Fé que ficamos menores, mas porque vimos, há muito, cultuando valores, desportivos, patrimoniais, institucionais, políticos e sociais divorciados da efetividade, da racionalidade e da modernidade na administração daquilo que realmente tem importância: o jogo da bola. Interesses outros, que não o futebol, levaram, por tempo demasiado, nossa atenção para outros escaninhos, dispensáveis, desnecessários e de dificil alcance.

O clube Grêmio não nasceu para fazer negócios , para discutir com Bombeiros, para suplicar licenças, para cultivar gramados, para esconder contratos, enquanto sufoca-se para emergir de divisões inferiores, apelando para o esotérico e o elegendo como um ícone de sua existência.

Uma das primeiras coisas a fazer, no dia seguinte dessa nova patacoada, seria nós, gremistas, nos metamorfosearmos em iconoclastas e, de uma vez, queimássemos em praça pública essa ficção da “Imortalidade”.

Chega desse Mundo de Alice.

Os que tinham a ganhar com isso já o fizeram.

Que se vão, pra gente começar de novo.

Não vão ser cobrados.

Apenas, deixem-nos em paz.

Levem consigo suas quimeras e as ilusões que nos plantaram.

Só um pedido: não voltem.
O que sobra de tudo, por enquanto, é o pior que poderia ocorrer: não o desespero, nem a tristeza, mas a indiferença.

É como se nós, a exemplo da imprensa nacional, já soubéssemos, desde o inicio, que não ia dar certo e, por isso, nos prevenimos para não sofrer.

Morte anunciada.

Dispensa-se exéquias.

Nem vergonha sobrou.
Há vagas para heróis e sábios, no Olímpico, que , graças a Deus, ainda é nosso (até quando?).
Quem se habilita?