Hiltor Mombach

Valdívia chorou o amor não correspondido. E mais

Valdívia chorou. Marcou um golaço de falta aos 47min finais e chorou. Pressionado, desabou. O choro convulsivo foi um acontecimento na estampa de um menino de riso fácil e constante
Nada surge mais pungente e indefeso do que um ser humano em plena catarse. A tragédia de Valdívia se resumia a um amor mal correspondido ultimamente. Ele chorava o desdém de parte da torcida colorada.
Com o micfrone quase entrando pela goela o meio-atacante soluçava sem que eu nada entendesse. Há certos momentos que marcam uma vida. Valdívia está sendo disputado a tapa pelos grandes de São Paulo.
Fosse eu o entrevistador e lascaria: e o que é que o moço me diz deste momento mágico?
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Cada um por si e os deuses do futebol por todos. Assim eram as peladas da minha infância. Pés descalços apanhando das rosetas, bola de couro número 5, que ninguém se atrevia a chutar de bico em dia de chuva, porque molhada pesava uma tonelada, corríamos tresloucadamente atrás do troféu chamado pelota.
Cada um por si e os deuses da vida por todos corremos hoje atrás de segurança, de justiça.
O futebol tem sua justiça própria. A justiça deveria unir a todos. Deveria. Vejam esta hipótese. O Inter prova ter razão no caso dos e-mails supostamente falsos mas é punido pelo STJD, apêndice da CBF, em retaliação ao fato de ter buscado seus direitos na Suíça. Algum clube se manifestará em seu apoio? Duvido. Cada um que se dane, que se vire sozinho, que se exploda se for o caso.
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O fato acima me remete a um poema de autoria de Eduardo Alves da Costa, de 1935, que leva o nome de “No caminho com Maiakóvski. Diz assim.
”Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
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Os clubes de futebol seguem a sina do ser humano. Os momentos de glória são logo divididos com a punição.
O Grêmio conheceu o Monte Olimpo, a morada de Zeus, tornou-se multicampeão conquistando a América e o Mundo e a punição veio quase do mesmo tamanho: dois rebaixamentos e 15 anos de jejum.
O Inter bateu no céu ao vergar o poderoso Barcelona de Ronaldinho & Cia, meteu no seu museu uma taça do mundial, duas da Libertadores, duas da Recopa, uma da Sul-Americana, várias taças de regionais e a punição chega agora a galope. É uma desgraça por dia.
Mas, e há sempre um mas em tudo, como na vida os dias ruins no futebol precedem a bonança.