Hiltor Mombach

Vendas mantêm as finanças do Grêmio

O título deveria ser vendas de jogadores mantém as finanças do Grêmio em dia.
Como poderia ser também sem vendas de jogadores finanças do Grêmio teriam resultado muito negativo.
Estas duas manchetes da abertura, diga-se, cabem em todos os grandes clubes brasileiros.
Nesta semana o Conselho Deliberativo do Grêmio esteve reunido para examinar os demonstrativos contábeis e financeiros do segundo trimestre de 2018.
O primeiro semestre apontou um superávit de R$ 3,58 milhões. Foi divulgada a redução do passivo total de R$ 49,96 milhões em relação à dezembro de 2017 e a redução do endividamento bancário em 28,73%.
Explicando alguns números.
Neste superávit não consta o dinheiro da venda de Arthur.
No próximo balanço o Grêmio deverá apresentar um superávit de cerca de R$ 71 milhões, pois ali já estará contabilizado o dinheiro da negociação milionária para o Barcelona da Espanha.
O dinheiro da transação de outro volante, Jailson, para o Fenerbahçe por cerca de R$ 19 milhões, em balancete posterior.
Sobre a redução do endividamento bancário em 28,73% uma breve explicação.
O Grêmio devia no final de 2017 R$ 80 milhões aos bancos, pagando juros, obviamente. A dívida caiu para R$ 57 milhões.
O Conselho Fiscal realizou diligência no ano passado para validar as transações realizadas e os respectivos lançamentos contábeis com um conhecido empresário gaúcho parceiro do Grêmio, cujo saldo em 31/12/2017 era de R$ 45 milhões em seu favor.
O clube continua devedor das mesma quantia, tendo pago, porém, R$ 21 milhões da participação do empresário na venda do volante Arthur.
As negociações de Arthur, Pedro Rocha, Walace e Jaílson renderam quase R$ 200 milhões.
O Grêmio tem agora um cheque em branco chamado Everton, cuja multa rescisória é de 60 milhões de euros, R$ 288 milhões.
Do balanço de 2017: “Há de se reconhecer o sucesso nesta importante modalidade de receita que é proveniente da formação e compra de atletas com consequente venda, mas o clube precisa adequar suas despesas ao nível das receitas ordinárias, para que, na falta das receitas extraordinárias, não cause desequilíbrio substancial em suas finanças.
O custo da atividade do desporto que era R$ 197 milhões em 2016 aumentou para R$ 260 milhões, ou seja, um aumento de 32,2%, ficando 114% do orçado suplementado.
O custo com o futebol profissional de R$ 150 milhões ficou em 99 % do orçamento suplementado, teve um aumento em comparação com 2016 em 37%, que foi R$ 109 milhões.” O custo da atividade desporto para este ano está orçado em R$ 199,2 milhões.
O associado vem garantindo um dinheiro considerável. A média de arrecadação nos três primeiros meses foi de quase R$ 8 milhões.
A tendência é aumentar, pois cheiro de título atrai ou mantém sócio em dia.
O Grêmio está bem no Brasileiro e nas quartas da Libertadores.