Hiltor Mombach

Vergonha, vergonha, vergonha!

DO R7

Em fala agressiva durante defesa de seu parecer na relatoria da CCJ (Comissão de Constituição de Justiça), Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) acusou Michel Temer de compra de votos para obter na comissão decisão contrária à abertura da investigação contra o presidente.

— O senhor Michel temer, contra quem pesam seríssimos indícios, acha que pode, usando bilhões de reais de dinheiro público, submeter a Câmara dos Deputados a seu bel sabor para proibir a sociedade de saber o que realmente aconteceu.

Advogado, Zveiter argumentou que os “bilhões de reais” repassados a parlamentares configurariam outro crime, do qual o presidente não é acusado:

— Distribuir bilhões em dinheiro público é obstrução de justiça.
Para que os deputados venham aqui nesta comissão atrás de liberação de verba, emendas parlamentares e cargos, e votarem contra este parecer.

Ele ainda reforçou que uma eventual derrota do parecer na CCJ “representa não uma derrota do relatório, mas do povo brasileiro”.
Sergio Zveiter afirmou que o PMDB, partido seu e do presidente Michel Temer, o ameaça de expulsão devido seu posicionamento na CCJ.

“Se eu soubesse que o PMDB quer que eu aprove a entrega de emendas parlamentares e cargos para obter apoio, jamais entraria no PMDB”, afirmou o relator.

O peemedebista garantiu que irá defender seu parecer a favor da investigação do presidente Michel Temer no plenário da Câmara, no caso de uma eventual derrota do relatório na comissão.

— Vou defender meu voto até o final julgamento na casa, porque o PMDB nem nenhum deputado pode me tirar esse direito. Não estamos aqui para condenar ou absolver Michel Temer, mas para aprovar que sejam feitos os devidos esclarecimentos.
O Presidente da república quer tirar o direito da população de ver esclarecidos os fatos.
Subtrair do povo brasileiro o direito de ter certeza absoluta sobre o que aconteceu em todo esse episódio é um equívoco ao qual eu absolutamente não posso concordar.

Aprovado ou não, a denúncia da PGR contra Michel Temer e o parecer do relator serão votados na Câmara dos Deputados, e, caso seja aprovado por 2/3 da Casa, segue para o STF (Supremo Tribunal Federal) que decide se afasta ou não o presidente por 180 dias para encaminhar a investigação.
Para o deputado, a narrativa do procurador-geral da República, Eduardo Janot, “é fortíssima”.

— O presidente recebeu fora de horário, no palácio do Jaburu, residência presidencial, um empresário que respondia a inúmeros processos, e indicou, sim, o senhor Rocha Loures, que posteriormente recebeu 500.000 de propina.

Zveiter criticou os deputados que foram trocados, segundo ele, de forma artificial, para conseguir o apoio ao presidente. “Aqueles que foram retirados a força daqui não poderão se esconder no plenário, com voto aberto. Esse resultado artificial pode parecer uma derrota ao relatório, mas é só o começo da discussão da matéria”, afirmou o deputado, afirmando que a sujeição a manobras leva à rejeição dos políticos pela população.

A CCJ deve votar hoje, por volta das 16h, a aprovação da denúncia do promotor-geral da República, Eduardo Janot, contra o presidente Temer.

Apologia ao nazismo

Pouco antes, Zveiter repudiou a declaração do vice-líder do governo, Darcísio Perondi (PMDB-RS), que o acusou de ter feito apologia ao nazismo em seu parecer pela admissibilidade da denúncia contra o presidente da República. Zveiter, que é judeu, classificou a declaração como um "ato vil, intencional e criminoso".

"Se alguém fez apologia ao nazismo, foi o próprio Perondi, ou pior, de maneira sórdida e velada transmitiu subliminarmente a sua índole de preconceito. Tamanho absurdo não pode ser aceito no Estado democrático de direito", disse o relator.

Para Zveiter, Perondi agiu de forma premeditada e com dolo direto. Em sua fala, afirmou ainda que, desde a divulgação do seu parecer, relevou insultos de outros parlamentares como "burro", "traidor", "imbecil" e "vagabundo, mas afirmou que "jamais se curvará" quando o insulto for uma "atrocidade racista" sobre a sua religião.

"Sou o único judeu no exercício do mandato, o que torna ainda mais afrontosa a difamação", declarou.
Ele disse ainda que Perondi agiu de forma "covarde", pois "escondeu-se por trás da imunidade parlamentar". "Racismo nunca mais", frisou.