Hiltor Mombach

Vingança, não; humilhação, sim

Não, a Holanda não se vingou da derrota de 2010.
Porque na África do Sul era final de Copa do Mundo, valia caneco, e o 1 a 0 na prorrogação mandou um título inédito para a Espanha, e porque a partida de ontem marcava a estreia das duas seleções na Copa do Brasil.
Sim, ao golear por 5 a 1, placar impensável até para o holandês mais otimista e sonhador, a Holanda humilhou a Espanha.
Eterna candidata ao título mundial, detentora de três vices, a Holanda protagonizou aquela que poderá ser a grande façanha desta Copa do Mundo.
Marcou cinco, deu chocolate, poderia ter feito seis, sete, num massacre que jamais será esquecido pelos espanhóis. Seis ou sete a zero, pois Diego Costa cavou a penalidade que permitiu a Espanha abrir o placar.
Foi a pior derrota sofrida por um campeão do mundo em Copas.
O tamanho do tombo pode ser conferido nas manchetes do principais jornais espanhóis: “La peor pesadilla del campeón”, “Manotazo de Holanda a la campeona”, “Humillación mundial”, “Robben aniquila a España” e “Ridículo para empezar”.
Com 58% de posse de bola, a Espanha disparou apenas nove chutes e guardou um, de penalidade; com 42% de posse, a Holanda concluiu 13 vezes, guardando cinco, inclusive o mais bonito da Copa até aqui: Robin van Persie recebeu um lançamento aéreo e, percebendo o goleiro adiantado, tocou de cabeça por cobertura.
Lindíssimo!
O resultado prova que em futebol tudo é tese e que as teses servem para ser desmontadas.
A lógica mandava cravar empate ou resultado apertado.
Cravei 0 a 0 no bolão aqui do Correio.
Como reagirá a Espanha?
Saberemos na quarta-feira, no confronto decisivo contra o Chile, que ontem passou pela Austrália, fazendo 3 a 1.
A Espanha decepcionou e o Chile pouco mostrou.
Se a Espanha perder, adeus Copa.