Hiltor Mombach

Voltar ou não voltar, eis a polêmica

Quando as mortes disparam no Brasil, aumenta a pressão do governo federal e da CBF para a volta do futebol aos gramados

Justamente quando as mortes disparam no Brasil, superando Itália e Espanha, aumenta a pressão do governo federal e da CBF para a volta do futebol aos gramados. Por outro lado, quem não quer o retorno do futebol aos gramados agora também aumenta o tom da voz.
Nesta semana o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a retomada das partidas de futebol no país: “Não sou médico, mas nós entendemos que poderia começar a abrir os estádios com critério e sem torcida no primeiro momento”. 
Recentemente, em videoconferência com dirigentes de clubes, a CBF deu aval para que as férias coletivas, forçadas por causa da pandemia do novo coronavírus, fossem encerradas e ainda sugeriu a retomada dos campeonatos estaduais entre 16 e 17 do próximo mês sem a presença de público nos estádios.
Nesta semana o treinador do Botafogo, Paulo Autuori, voltou a atacar quem quer a volta do futebol.
SANDICE
“Me parece uma sandice falar sobre o retorno das equipes de futebol neste momento. Falta de respeito diante de tantas mortes e sofrimentos. Demonstra uma preocupante falta de conhecimento dos responsáveis a favor dessa medida sobre a complexa rotina dos treinamentos de futebol. Ausência de preocupação e de respeito aos profissionais, especialmente daqueles mais sacrificados, que não são jogadores nem membros da comissão técnica. Nós, profissionais, merecemos respeito. Querem futebol de volta? E daí? Lamento”.
Autuori disse ainda que “or isso minha crítica de longos anos à CBF. Nada pessoal contra quem trabalha lá, é apenas uma questão de conceitos, divergência de opiniões. As pessoas que tomam decisões lá estão totalmente fora da realidade do futebol.”
Aqui abro um parêntese para registrar aquilo que escreveu o advogado Rodrigo R. Monteiro de Castro numa coluna para o site Migalhas: 
“O torcedor brasileiro vive, há décadas, a sua odisseia de tontice, sem que chegue perto de insurgir-se contra os poucos oportunistas que se apropriaram do futebol, patrimônio nacional. A apropriação, aliás, transmite-se, historicamente, dentro de grupos herméticos, mesmo que opositores no ambiente associativo, mas que se sustentam, uns aos outros, com a leniência do Estado.”
INDENIZAÇÃO
Nesta semana o jornalista Thiago Braga, do site Lei em Campo, escreveu:
“Porém, os cuidados dos clubes no retorno ao futebol terão de ser maiores para que nenhum atleta venha a se contaminar. Se isso ocorrer, além do prejuízo financeiro decorrente da perda de receitas, os clubes poderão ser acionados na justiça pelo atleta que contrair a Covid-19. Entre as demandas, o atleta pode pedir desde uma indenização até a rescisão do contrato.
Isso porque o Supremo Tribunal Federal suspendeu na semana passada dois artigos da Medida Provisória 927. Entre eles o artigo 29, que restringia as possibilidades de considerar a contaminação por Covid-19 como doença ocupacional. Com essa decisão do STF, com relação aos atletas, o que pode ocorrer é, havendo eventual contaminação, poderá ser entendido que esta se deu em treino ou jogo e, portanto, seria doença profissional, equiparando-se a um acidente de trabalho.”
GRÊMIO E INTER
Nas conversas que venho tendo com o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, ouço que não há a mínima chance do futebol ser retomado agora. Romildo não arrisca uma previsão, mas diz ser impossível antes do final de julho. Vai mais longe: acredita que a Libertadores não será retomada. O torneio estava em sua segunda rodada da fase de grupos. 
O vice presidente do Inter, Alexandre Chaves Barcellos, tem a mesma opinião. Não crê na retomada da Libertadores este ano e nem na realização do Brasileiro antes do final de julho. 
FGF E GOVERNO
Nesta semana aconteceu um encontro entre o presidente da FGF, Luciano Hocsmann, e o governador Eduardo Leite. Segundo Luciano, “não está se discutindo o retorno do futebol. A apresentou foi um manancial de medidas para, quando houver a liberação com segurança e responsabilidade pelas autoridades sanitárias, nós já estarmos com esse protocolo definido e elaborado para não perdermos mais tempo”. 
Em conversa com Luciano, ouvi que patrocinadores do Gauchão já acenam com a possibilidade de renegociar seus contratos. Ele afirma que, se o Brasileiro for realizado, o restante do regional também acontecerá.