WALTER : DENÚNCIA DE RACISMO
Walter confirma: mandou a torcida do Estudiantes calar a boca. E explica: "Eles (torcida) me chamavam de "macaco, macaco e na minha cabeça passava que se eu fizesse um gol ia mexer com eles. Eu não fiz mas o Giuliano fez e eu fui mexer". O atacante afirma também ter sido chamado de "macaco" contra o Banfield.
Sobre isto transcrevo coluna escrita no Correio do Povo de 26 de junho de 2009.
NOSSOS IRMÃOS
Na campanha paraguaia, o Exército brasileiro engrossou suas fileiras
com escravos negros. Os paraguaios contra-atacaram lançando calúnias
racistas sobre os invasores chamando Pedro II de ’El Macacón’. Thomas
Skidmore relata isto em ’Uma História do Brasil’, já tratando o fato como ’calúnias racistas’.
Não vai muito tempo, os jornais argentinos abusavam de chamar os brasileiros de ’macaquitos’. Não sei se tal artifício contagiou ou contagia los hermanos. Em 2005, depois atacar de forma racista Grafite, Desábato promoveu esta singular frase: ’Insultar é uma coisa comum na Argentina’. Na Argentina, pode ser. Mas alguém deveria ter dito a Desábato que no Brasil racismo dá dor de cabeça e até cadeia. Antes de minhas viagens internacionais, tenho por hábito ler sobre os costumes do país onde irei trabalhar, saber o que ofende aquele povo, dos rigores da lei em caso de infração. Se os jogadores não buscam tais informações, espera-se que o séquito que os cerca tenha tal cuidado.
Quem afirma que num campo de futebol os jogadores se xingam, se beliscam, se chutam, que ali se encena uma guerra, e numa guerra vale tudo, como justificativa para um ataque racial, deveria levar em conta o sentimento do ofendido. A caminho do vestiário, chocado e abatido, Grafite se recusou a confirmar se Desábato teria dito ’alguma coisa de cunho racista’, nas palavras do um repórter: ’Não vou nem comentar para não dar ênfase’, afirmou. Para alguns, ele deveria calar. Pergunto: quem, quando ofendido, cala, podendo, escancarar sua revolta?
Os argentinos são nossos irmãos. Devemos tratá-los como irmãos e esperar, deles, o mesmo respeito. Certa feita, uma autoridade argentina disse que ’a legislação aqui (no Brasil) é muito dura e o tema racial é de grande atualidade, por isso há muita sensibilidade por essas coisas e a ela se soma a clássica rivalidade futebolística entre argentinos e brasileiros’. Parece que a legislação do trânsito também é muito dura na visão dos nossos irmãos. Se é assim, que nos respeitem ainda mais. Que nos respeitem a TODOS como irmãos.
