O TRIUNFO DO HOMEM
A importância de Zagallo na sua participação na primeira Copa vencida pelo Brasil pode ser observada neste trecho de uma crônica de Nelson Rodrigues para a Manchete Esportiva.
Qualquer jogador do escrete brasileiro podia ser o meu personagem da semana. De Gilmar a Zagalo.
De Zagalo diremos apenas o seguinte: — estava em todos os lugares ao mesmo tempo.
De certa feita, foi até interessante. Zagalo salva um gol, sai com a bola e, em seguida, aparece lá na frente, na área adversária, desintegrando a defesa inimiga.
Amigos, ontem o escrete era imbatível.
Cada vez que um craque patrício apanhava a bola, partia em todas as direções, como aquele mocinho de fita em série.
E, pela primeira vez, numa final de campeonato do mundo, um escrete vence de goleada, vence de banho.
Mas, como eu ia dizendo: — a exibição do Brasil foi tão perfeita, irretocável, que, desta vez, qualquer um podia ser o meu personagem. Por exemplo: — Pelé, um menor total, irremediável, que nem pode assistir a filme de Brigitte Bardot. Ao receber o ordenado, o bicho, é o pai que tem de representá-lo. Pois bem: — Pelé assombrou o mundo. Não se limitou a fazer os gols. Tratava de enfeitá-los, de lustrá-los.
Sim, poderia ser Pelé o homem desta página.
[Manchete Esportiva, 5/7/1958]
Zagallo por Nelson Rodrigues
A importância de Zagallo na sua participação na primeira Copa vencida pelo Brasil pode ser observada neste trecho de uma crônica de Nelson Rodrigues
