Há um Século no CP

A apresentação de um prodígio musical precoce

Da edição de 28 de agosto de 1926, sábado, n. 203

Posteriormente o jovem conquistou o reconhecimento internacional do mundo da música
Posteriormente o jovem conquistou o reconhecimento internacional do mundo da música Foto : CP Memória

“No Theatro S. Pedro, efetuar-se-á hoje à noite o anunciado concerto do jovem pianista italiano Luciano Sgrizzi. Para o seu primeiro recital nesta capital, o ex-aluno da Real Academia de Bologna organizou o programa seguinte:

I PARTE

Beethoven — Sonata Patética; Granados — Dança Espanhola

II PARTE

Chopin — Valse — 2 Études (op. 10 n. 5-op. 25 n. 9); Grande Polonaise op. 53; Rinaldi — ‘Entrata d'Arlecchino’

III PARTE

Liszt — Noturno; Wagner-Liszt — Morte de Isolda; Paderewski — Menuet op. 14; Paganini-Liszt — La Campanella

Nascido em Bolonha (Itália) em dezembro de 1910, Luciano aos 8 anos começou o estudo da música. Não se dedicou a este estudo por ser a ele constrangido, mas sim por livre escolha. Ele mesmo soube escolher o que mais convinha ao seu temperamento e às suas aptidões, interpretando fielmente a sua verdadeira vocação. Estreou em Verona em 1922 e, nessa ocasião, o jornal ‘L'Arena’, daquela cidade, julgou-o ‘um executor fora do comum’ e pouco tempo depois o periódico ‘A Musica’, de Roma, noticiava: ‘Sucesso triunfal desse menino que se encaminha para a glória’. O ilustre maestro Zuelli, diretor do Conservatório de Parma, apresentou-o em nome da Sociedade de Concertos daquela cidade com as obras de Mozart e com uma dedicatória de que conseguisse alcançar a glória, como a tinha conseguido o autor daquelas obras imortais. Embarcando no mês de julho de 1924 para a América do Sul, já realizou, nestes dois anos, a sua primeira ‘tournée’. O público carioca acolheu-o com verdadeiro entusiasmo. Mas o que culminou foi o recebimento de que foi alvo por parte do Instituto Nacional de Música, onde foi apresentado ao diretor desse estabelecimento pelo professor Cyrofredo Mallio. Sgrizzi deixou o seu autógrafo no livro dos visitantes. Na sala de lições do maestro Lima Coutinho, quando foi anunciada a entrada de Luciano Sgrizzi, os alunos, de pé, prorromperam em entusiástica salva de palmas, tendo o maestro Lima Coutinho pronunciado entusiástico discurso apresentando-o a seus alunos. A seguir, Luciano foi conduzido ao salão de concertos, onde executou, debaixo de aplausos, várias páginas clássicas, inclusive uma composição de sua lavra.”

Luciano Sgrizzi (1910 - 1994) apresentou-se pela América do Sul entre 1924 e 1927, tocando em Porto Alegre com 16 anos de idade. Afastou-se da Itália para não ser associado ao regime fascista, vivendo na Suíça até depois da Segunda Guerra Mundial. Ali trabalhou como pianista e organista na Rádio Suíço-Italiana. Recebeu diversos prêmios internacionais, como o Grand Prix du Disque e a Ordem do Mérito da República Italiana, além de atuar junto ao governo francês. Morreu em Monte Carlo.

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Riscos da natação

“As piscinas reabriram suas portas na época própria ao mesmo tempo que as praias se povoam de banhistas e nadadores. Verifica-se a miúdo que nas famílias se incitam os rapazes a praticar a natação, enquanto se aconselha o contrário às senhoritas quanto a este exercício. ‘Vais-te cansar’, diz a mamãe. ‘Podes-te prejudicar. Prefiro mais comprar-te um guarda-sol e alguns pares de luvas do que pagar lições de natação.’ E a jovem, com o coração oprimido, olha seus irmãos maiores e mesmo os menores, que correm para a água em trajo de banho, nadam, mergulham, nadam de lado e de costas e regressam do exercício com a sã alegria que dá a maravilhosa natação. Agora, para provar às vossas mães temerosas e aos vossos pais indiferentes, ponha-lhes sob os olhos os seguintes algarismos extraídos de um artigo muito notável sob vários aspectos, da autoria de J. de Lalyman, o apóstolo da natação. ‘Durante o ano de 1923, o número de mortes por submersão foi muito superior ao das mortes causadas por acidentes ferroviários, automóveis e outros veículos nos Estados Unidos. Em 1924, atingiu a um total de 1.356 mortes por imersão, sem contar as que se produziram em sinistros marítimos.’ Estes algarismos devem decidir os pais timoratos a colocar com a maior boa vontade seus filhos sob a direção de um professor de natação.”

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Pontes de NY

“Quando a ponte de Brooklyn foi construída e inaugurada há 43 anos, passou a ser considerada a oitava maravilha do mundo e a coisa mais notável da América. Está longe de ser uma ruína; todavia, já não é uma maravilha. A sua idade, numa cidade como Nova York, toca às raias da antiguidade respeitável, ao ponto de seu aniversário ser celebrado. O enorme tabuleiro, mais alto que os imóveis das margens e que atravessa o rio a 45 metros acima do nível da água, tornando pequenos os grandes navios que dele se avistam, entusiasmava os ‘yankees’ de 1883, não habituados ainda a esse gênero de grandeza. Os seus dois quilômetros de extensão foram assunto de conversações técnicas ao redor do mundo. Durante 20 anos, a ponte de Brooklyn guardou a sua posição de maravilha. Depois, passado o século XIX, o XX pretendeu apresentar coisa melhor. Construiu-se outra ponte, a de Williamsburg, feita em escala maior que a antecedente. E agora projeta-se uma terceira, junto à qual a primeira é mero brinquedo. A nova ponte atravessará o Hudson a uma altura de 77 metros e, em cada margem, será suspensa a torres mais altas que o monumento de Washington.”

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O dia 28 de agosto na história

  • 489 Os ostrogodos, liderados por Teodorico, invadem a Itália.
  • 1521 Captura de Belgrado pelas tropas turcas do sultão Suleiman, o Magnífico.
  • 1749 Nasce em Frankfurt o polímata alemão Johann Wolfgang von Goethe.
  • 1833 O Ato de Abolição da Escravatura recebe aprovação real, tornando ilegal (com exceções) a aquisição ou a propriedade de escravos no Império Britânico.
  • 1845 Publicada a primeira edição da revista Scientific American.
  • 1849 Veneza se rende à Áustria após um mês de cerco e de se declarar independente.
  • 1879 Cetshwayo, último rei dos Zulus, é capturado pelos britânicos.
  • 1909 Um grupo de militares gregos de nível médio iniciam o Golpe de Goudi, inaugurando um novo sistema político.
  • 1916 A Alemanha declara guerra à Romênia; a Itália declara guerra à Alemanha.
  • 1917 Dez sufragistas que protestavam em frente à Casa Branca em defesa do voto feminino são presas.
  • 1921 O Exército Vermelho dissolve a Makhnovshchina, movimento que buscava a implantação do anarco-comunismo no sul e leste da Ucrânia.
  • 1924 A oposição na Geórgia lança sem sucesso o Levante de Agosto contra o domínio soviético.
  • 1936 A Alemanha nazista inicia as prisões em massa em campos de concentração das Testemunhas de Jeová.
  • 1937 A Toyota Motors se torna uma companhia independente.
  • 1941 A primeira edição do noticiário radiofônico Repórter Esso vai ao ar.
  • 1944 Liberação das cidades francesas de Marselha e Toulon.
  • 1955 O adolescente afro-americano Emmett Till é sequestrado, linchado e baleado no Mississippi por assobiar para uma mulher branca, catalisando o nascente movimento de direitos civis.
  • 1963 Martin Luther King Jr. faz o famoso discurso “I Have a Dream” durante a Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade.
  • 1969 Nasce na Califórnia o ator, comediante e músico americano Jack Black.
  • 1981 Morre em Viena o ex-jogador e técnico húngaro Béla Guttmann, histórico treinador do Benfica e do São Paulo.
  • 1988 Três aviões das Frecce Tricolori italianas colidem no ar em Rammstein, Alemanha, e os fragmentos que caem sobre multidão de cerca de 300 mil pessoas deixam 75 mortos.
  • 2009 Noel Gallagher anuncia sua saída da banda britânica Oasis, levando ao fim do grupo.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios