“Como era esperado, chegou ontem a esta capital o almirante Mc. Cully, chefe da missão norte-americana contratada pelo nosso governo a fim de aperfeiçoar a nossa Marinha de Guerra. [...] Recebido no cais do porto pelas nossas autoridades, o almirante Cully, que ainda é moço e fala perfeitamente o português, transportou-se, depois de haver recebido cumprimentos, para o Grande Hotel, onde se hospedou. Momentos depois de haver chegado, um dos nossos repórteres esteve no Grande Hotel, tendo então ocasião de palestrar com o almirante Cully quando se achava no hall daquele estabelecimento em companhia do capitão de fragata Beauregard. S. s. recebeu gentilmente o nosso representante e, falando-nos da sua viagem, declarou em poucas palavras: ‘Há mais de um ano, chefiando a missão naval norte-americana contratada pelo governo do vosso país para instruir a vossa Marinha de Guerra, era meu vivo interesse conhecer também outros pontos do Brasil. Assim é que resolvi primeiramente fazer uma viagem nos Estados do Sul, tendo estado em Santos, Paranaguá, Florianópolis, Rio Grande e Pelotas. Agora encontro-me aqui, na capital do vosso Estado, do qual recebi logo a melhor impressão pelo adiantamento que encontrei. Mas não desejo somente conhecer o litoral do vosso país, como também o interior. E assim é que amanhã prosseguirei a minha viagem, regressando para o Rio de Janeiro por via terrestre. Ao chegar à capital da República, então iniciarei uma viagem pelo litoral dos Estados do Norte, que também desejo conhecer com o mesmo interesse que o da viagem para o Sul. Desde que cheguei ao Rio Grande do Sul, fiquei deveras bem impressionado. De rápida passagem constatei perfeitamente o seu franco progresso’. Mostrando-se um tanto reservado para falar, aliás como é da índole de todo norte-americano, o sr. almirante Cully respondeu-nos porém em breves palavras às nossas perguntas. Sobre a missão naval da qual é chefe, disse-nos: ‘Em novembro deste ano terminará o contrato que ela tem com o governo brasileiro. Chefio-a há pouco mais de um ano, dela fazendo parte 16 oficiais e 19 suboficiais’. Encaminhamos, então, a palestra para as relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos para ouvirmos do sr. chefe da missão as seguintes palavras: ‘As relações comerciais entre os dois países estão aumentando de ano para ano, pelas informações que tenho de nossos cônsules. É um fato bastante promissor, cooperando ainda para isso a navegação que é feita por três companhias norte-americanas e também pelo Lloyd Brasileiro, que, como deveis saber, mantém uma linha regular para a minha pátria’. Tínhamos terminado a breve palestra com o almirante Cully e ao despedirmo-nos, disse-nos: ‘Estimarei que também possais visitar o meu país’. [...] O almirante Cully, que há 8 anos foi promovido a esse posto, fez toda a guerra europeia [Primeira Guerra Mundial], comandando unidades que operaram nas costas da França.”
_
Indústria calçadista
“A bordo do ‘Antonio Delfino’, parte hoje para a Europa o coronel Pedro Adams Filho, industrial residente no Rio Grande do Sul e membro do Conselho Municipal de São Leopoldo. O ‘Jornal do Commercio’ diz que o sr. Pedro Adams Filho é um dos elementos de destaque do partido republicano de Novo Hamburgo e leva para a Europa a incumbência, que lhe foi confiada pelo Ministério da Agricultura, de estudar as indústrias de couro e calçados nos países que percorrer.”
_
Minerais
“Desde alguns dias, encontra-se nesta capital o sr. A. Ulrich, representante dos banqueiros norte-americanos que estão em negociações para a realização de um empréstimo à Intendência Municipal na importância de 4 milhões de dólares. Interessando-lhes saber algo sobre a mineralogia rio-grandense, estiveram ontem pela manhã, acompanhados do sr. A. Heilmann, da firma Bromberg e Cia., no gabinete de mineralogia e geologia da Escola de Engenharia, dirigido pelo dr. Luiz Englert, lente daquele estabelecimento de ensino. Por espaço de duas horas, o sr. Ulrich esteve ali detidamente estudando os minerais rio-grandenses, como sejam cobre, estanho, volfrâmio, ferro, etc., e diferentes rochas. Viu também as diversas preparações microscópicas e os mapas e outros interessantes trabalhos sobre a nossa mineralogia feitos pelo dr. Luiz Englert, o qual também foi incansável em dar-lhe todas as informações que necessitava.”
. . . . . . . . . . . . . . .
O dia 23 de abril na história
- 1516 A Reinheisgebot, lei de pureza da cerveja alemã, entra em vigor na Bavária prevendo como ingredientes exclusivamente água, cevada e lúpulo (não inclui levedura).
- 1564 Data atribuída pela tradição ao nascimento do escritor, ator, poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare.
- 1616 Morre em Stratford-upon Avon o poeta William Shakespeare.
- 1849 O escritor russo Fiódor Dostoiévski é preso pela polícia secreta czarista por supostas atividades revolucionárias.
- 1920 Fundada em Ancara a Grande Assembleia Nacional da Turquia, o parlamento unicameral do país.
- 1936 Nasce no Texas o cantor, compositor e guitarrista americano Roy Orbinson.
- 1942 A militante comunista judia-alemã Olga Benário Prestes morre em câmara de gás no campo de extermínio de Bernburg.
- 1954 Nasce em Flint, Michigan, o cineasta, diretor, produtor e escritor americano Michael Moore.
- 1961 Putsch de Argel: falha tentativa de militares veteranos franceses de forçar o presidente Charles De Gaulle a não abandonar a Argélia francesa.
- 1968 Estudantes tomam e fecham prédios administrativos da Universidade Columbia, em Nova Iorque, em protesto contra a Guerra do Vietnã.
- 1984 O governo americano anuncia a descoberta do vírus responsável pela AIDS.
- 1985 A Coca-Cola muda sua fórmula, lançada como New Coke; a repercussão é imensamente negativa e a fórmula original é restabelecida em menos de 3 meses.
- 1993 A população da Eritreia vota massivamente pela independência da Etiópia em referendo monitorado pela ONU.
- 1998 Morre na prisão aos 70 anos James Earl Ray, assassino de Martin Luther King Jr. em 1968.
- 2005 O primeiro vídeo disponibilizado no YouTube é publicado pelo cofundador Jawed Karim.
- 2007 Morre em Moscou o ex-presidente russo Boris Yeltsin, primeiro mandatário da Rússia após o fim da URSS.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
