“Ainda que ele próprio, com pena, haja construído o monumento perene do seu nome, entende a ‘Academia Brasileira de Letras’ que Machado de Assis, desaparecido da terra, deve tornar à superfície da vida ressurgido em glória. Cuidou-se, a princípio, em erigir à memória do grande estudioso de almas, que passou pela vida mergulhado no íntimo do ser, alheio ao mundo exterior, uma simples herma em que culminasse o seu busto. Verificou-se, porém, que isso seria insignificante como valor e incoerente como expressão. A herma viria contradizer o homem. Machado de Assis em vida foi um incluso, escondido em si mesmo, no lar e na amizade de poucos — não se nos mostrava senão em reflexo nos seus livros. Expô-lo na morte seria quase uma violação. Votou-se, então, pelo monumento, obra alegórica, de vulto, que correspondesse à grandeza do dignificado. Para tanto, não tem forças a Academia, que dispõe apenas do medido recurso da sua renda. Desistir, porém, do empreendimento seria cometer duas injustiças — uma, a de deixar esquecido o escritor primoroso; outra, a de duvidar da generosidade do povo com os que o engrandecem e honram. Assim, resolveu a ‘Academia’ lançar um apelo a todas as instituições do país e, individualmente, a quantos veneram a alta memória do Mestre exímio para que, com o auxílio de todos, se possa levar a termo a obra de reconhecimento que se pretende pôr de pé. O artista que a houver de realizar não se deverá prender apenas ao efêmero, que pereceu, mas principalmente ao que resta e subsistirá — o espírito. Machado de Assis não foi compositor de imagens nem um paisagista — foi um destilador de essências e a essência, a alma, não se vê: sente-se. Assim, como representar o invisível senão por símbolos, como os gregos representavam os mistérios da natureza, as belezas da vida e os sentimentos humanos? Que importa o vulto que desapareceu na morte? O sol manifesta-se pelo calor e pela claridade — poucos lhe buscam ver o disco, contentando-se com o dia que ele lhes dá. Erija-se o monumento como representação do pequeno mundo saído do gênio do Poeta. Deus, quem o vê na vida? Vê-se-lhe o ‘Fiat’, a criação, de que é Alma, e é tudo. Assim seja com o que nos legou: uma obra de perfeição, tão pura na essência como extrema na forma, vazada em lídimo vernáculo. E para que tal homenagem seja unânime, tornando-se assim um preito nacional, a ‘Academia Brasileira de Letras’ apela para o patriotismo do Povo, pedindo o auxílio nessa glorificação devida a um dos maiores vultos da Literatura pátria e um dos mais peritos lapidários da língua portuguesa. Rio de Janeiro, 4 de março de 1926. Coelho Netto — Presidente
Nota — Qualquer importância deve ser enviada à Tesouraria da Academia Brasileira de Letras (Avenida das Nações, Rio de Janeiro).”
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Amundsen
“Esta cidade [Oslo] embandeirou-se para receber o dirigível ‘Norge’, que chegou ontem, escoltado por hidroaviões. O ministro da Defesa, personalidades civis e militares, corpo diplomático e 20.000 espectadores assistiram à amarragem do dirigível.”
“O dirigível ‘Norge’ foi avistado a 37 milhas do sul [de Estocolmo], seguindo em direção ao Oriente. Diversos aeroplanos partiram de Reval, a fim de auxiliar o ‘Norge’, encontrando-o a navegar rumo a Leningrado [atual São Petersburgo, Rússia].”
“O dirigível ‘Norge’, em que o sr. Roald Amundsen vai tentar a exploração do Pólo Norte, está perdido no meio de intenso nevoeiro entre a Suécia central, o mar Báltico e a Finlândia. Todas as estações de rádio avisaram o ocorrido, pedindo auxílio.”
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Combate ao jogo
“É pensamento do sr. Carlos Costa, novo chefe de polícia do Distrito Federal, mandar soltar os presos políticos que não tenham nota de culpa.”
“A imprensa diz que o jogo campeia, agora, em Minas Gerais, para onde os jogadores fugiram da perseguição que aqui [Rio de Janeiro] lhes continua a ser feita. Agora, as autoridades dali, com o desenvolvimento do jogo, iniciaram também uma forte campanha na capital mineira.”
“O sr. Virgílio Mello Franco, em entrevista a ‘A Notícia’, declarou que o 2° delegado auxiliar nada encontrou de anormal na busca que realizou no ‘Jockey Club’. A diretoria do Club dirigiu uma carta ao sr. Arthur Bernardes, presidente da República, explicando que o Jockey não deve ser envolvido na campanha contra o jogo, pois não é casa de tavolagem.”
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O dia 16 de abril na história
- 1828 Morre em Bordeaux o pintor e impressor espanhol Francisco de Goya.
- 1889 Nasce em Londres o ator cômico, cineasta e compositor Charles Spencer Chaplin, célebre pelo personagem Carlitos.
- 1894 O clube inglês Manchester City é refundado, tendo surgido em 1880 como St. Mark’s.
- 1917 Vladimir Lênin retorna para Petrogrado (atual São Petersburgo) de seu exílio na Suíça, marco temporal da Revolução Russa.
- 1922 Assinado na Itália o Tratado de Rapallo entre a Alemanha e a URSS, restabelecendo relações diplomáticas entre os países.
- 1941 A Ustase, organização fascista e ultranacionalista croata, é colocada no comando do Estado Interdependente da Croácia pelo Eixo.
- 1943 O químico suíço Albert Hofmann descobre acidentalmente os efeitos alucinógenos do LSD.
- 1945 O Exército Vermelho começa a ofensiva final contra as forças alemãs no entorno de Berlim.
- 1947 O político e financista americano Bernard Baruch emprega pela primeira vez o termo “Guerra Fria” para descrever a relação entre EUA e URSS no pós-guerra.
- 1961 Fidel Castro declara em discurso transmitido nacionalmente que é um marxista-leninista e que Cuba adotará o comunismo.
- 2007 Morre no Rio de Janeiro a ex-nadadora Maria Lenk, a primeira mulher sul-americana a participar das olimpíadas, em Los Angeles, 1932.
- 2012 Começa em Oslo o julgamento de Anders Breivik, autor de extrema-direita dos atentados de 2011 na Noruega.
- 2013 Começa o massacre de Baga, na Nigéria, quando militantes da organização jihadista Boko Haram atacam soldados do governos.
- 2016 Terremoto no Equador mata 676 e fere mais de 230 mil pessoas.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
