Há um Século no CP

As celebrações pelo Dia do Trabalho

Da edição de 1° de maio de 1926, sábado, n. 101

Diversas agremiações operárias organizaram debates, festas e palestras pela data internacional
Diversas agremiações operárias organizaram debates, festas e palestras pela data internacional Foto : CP Memória

“Tempos houve em que as reivindicações operárias eram por uns consideradas meras utopias e por outros, os mais pessimistas, sintomas eviden­tes duma incubada revolu­ção social. A luta da família proletária em favor das oito horas de trabalho, que a prin­cípio tanto apavorou as clas­ses conservadoras, tornou-se uma brilhante realização. Vitoriosa quase universal­mente essa justa pretensão do operariado, os regimes não foram abalados, o capital não sofreu e a produção não foi restringida. O direito à greve, pelo qual igualmente pugna­va o operariado, num genero­so e belo exemplo de solidariedade de classe, com o mes­mo empenho e ardor com que o combatia por outras medi­das de ordem social, da mes­ma forma se tornou um fato assegurado e garantido pelas leis. A assistência aos operários, as leis reguladoras de seu tra­balho e garantidoras de seus salários, a higiene das fá­bri­cas, a defesa dos menores, tu­do enfim que tem merecido da família proletária os seus mais constantes e justos re­clamos, acha-se mais ou me­nos previsto e prescrito nos códigos e leis especiais dos países cultos e civilizados. Tudo isso que constitui a conquista das reivindicações operárias se comemora e festeja no dia de hoje. E essa comemora­ção é perfeitamente justa; sem operariado não haverá progresso. Sem ele, não vingarão as indústrias, por maior que seja o engenho da mo­derna maquinaria. A família proletária é como que um dos alicerces dos po­vos e das nacionalidades con­temporâneas que queiram evo­luir e prosperar. O dia de hoje, por eles con­sagrado à festa do trabalho, pertence-lhes. Nele se sintetiza a merecida vitória das suas humanas pretensões. Nesta capital, a data do tra­balho será comemorada fes­tivamente pelos operários. Na sede da Federação Ope­rária, bem como nas associa­ções a ela filiadas, haverá sessões comemorativas à da­ta, estando inscritos para fa­lar diversos oradores. Entre os festejos a realizar-se, contam-se os promovidos pelas seguin­tes associações. [Comité Regional de Porto Alegre] realizará hoje, no Teatro Thalia, no ar­ra­balde S. João, um grande fes­tival, cujo programa está as­sim organizado: 1° - ‘Ouverture’: A Internacional; 2° - O drama em 7 partes intitulado ‘Corações Famintos’; 3° - Uma interes­sante comédia; 4° - Um filme natural: 5° - Falarão, histo­riando a data, um operário; 6° - Conferência em duas partes pelo dr. Raul Bitten­court, sob o seguinte tema: ‘Perspectiva da humanidade futura’; 7° - Falará o acadê­mico Valmor Franca sobre o tema ‘A origem e evolução das classes’; 8° - Conferência do sr. Luiz Cuervo sobre o tema ‘Política burguesa e política proletária’. Entre os intervalos será projetada uma série de foto­grafias das principais fá­bri­cas e edifícios da Rússia dos Soviets. O Sindicato Padeiral e Clas­ses Anexas promove para hoje dois comícios. O primeiro deles efetuar-se-á na Praça Garibaldi, ao fim da rua João Alfredo, às 10 horas da ma­nhã, e o segundo, às 17 horas, na Avenida Eduardo [atual avenida Presidente Roosevelt], devendo usar da palavra diversos ope­rários. Todos os centros operários distribuirão nas fábricas e nas ruas grande quantidade de folhetos referentes à data que hoje transcorre. Em comemoração à data de hoje, o Centro Social Te­souras organizou uma festa campestre em sua sede, nas Minas do Butiá. [...] Esta sociedade [S. B. Flor da Primavera] levará a efeito hoje à noite um sarau dançante em comemoração à data, reinando para ele gran­de animação entre os sócios e frequentadores. [...]”

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Estado de sítio

“Ainda uma vez, foi pror­rogado, com surpresa para mui­ta gente, o estado de sítio. O atual quadriênio, que se ini­ciou com aquele regime, com ele se encerrará. Na história política da Re­pública, o governo atual fica­rá registrado como um parên­tese constitucional. Não há, no mundo civilizado, fora de eventualidades de guerra, no­tícia de um tão prolongado es­tado de sítio, que colocou o país em situação de anorma­lidade durante quatro anos, com todas as garantias sus­pensas e, consequentemente, com as suas funções vitais fundamentalmente perturbadas. Se os acontecimentos políti­cos são um índice da situação geral, bem se pode calcular a impressão que causará no es­trangeiro o estar vivendo o país num regime de exceção, que não deixará de ser, aos olhos dos que nos vêm de fo­ra, um sintoma da maior gravidade. Diante de tais cir­cunstâncias, que admirar, por exemplo, a desconfiança financeira que se revela na baixa do câmbio, o retraimen­to dos capitais estrangeiros para animar empresas indus­triais e do próprio braço alienígena de que temos ainda tão grande necessidade para o de­senvolvimento da nossa eco­nomia? Cada prorrogação do sítio é um golpe dado no nosso cré­dito e alimenta a falta de confiança a respeito da ordem interna, indicando-nos como uma republiqueta de agitados, que só podem ser contidos pe­lo regime de força ou camisa de força.”

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Oliveiras gaúchas

“Não é novidade dizer-se que o nosso meio é muito propício à cultura da oliveira. Poucas árvores, espalhadas umas aqui e outras acolá, há em diversas localidades do Rio Grande, viçosas e com belís­simo desenvolvimento, notan­do-se com admiração um bo­nito pé até na praça Senador Florêncio [atual Praça da Alfândega] nesta capital. Mas além desses espécimes ornamentais, existe no Estado a verdadeira cultura da oliveira em Caxias, Torres, Encruzilhada, Cacimbinhas [atual município de Pinheiro Machado] e Cachoeira, seja de variedades produtoras de azeitonas para conserva, seja das que servem para a extração do azeite. Infelizmente são todas elas culturas em pequena escala, que atingem umas a cente­nas de plantas, outras, a pou­cas dezenas. São o fruto do trabalho perspicaz e cuidadoso de agri­cultores inteligentes, pioneiros do progresso agrícola, que sem pensar em recompensas de ne­nhuma espécie mostram e in­dicam o caminho que se pode trilhar também neste impor­tante ramo da fruticultura. A oliveira pelo valor consi­derável que apresenta seu pro­duto, compensa com fartura os poucos anos de cuidados que o agricultor lhe deve pro­porcionar sem dela tirar pro­veito. Quando, ao quinto ou sexto ano depois da plantação, começa a produzir, então o produto se consegue durante longos anos e até por mais de um século, tornando-se uma fon­te de renda garantida, uma vez que se dispensem à planta todos os cuidados de que é merecedora [...]” [da coluna “Notas sobre agricultura”, de Celeste Gobbato]

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Clube polonês

“Transcorre hoje o 13º aniversário do G. S. Sokol. Fundado a 1º de maio do ano de 1913 por um grupo de jovens poloneses no ar­ra­balde de S. João, a princípio os seus sócios dedicavam-se aos jogos de ginástica e uma parte ao futebol, não fazendo parte de liga alguma. Somente no ano de 1920 se inscreveu para disputar o campeonato e, no ano de 1923, conseguiu três belas ta­ças, sendo uma do ‘Torneio Initium’ da 2ª divisão da A. P. A. F. [Associação Porto Alegrense de Football], outra no campeonato dos segundos ‘teams’ e a ter­ceira no torneio promovido pelo G. S. Cruzeiro do Sul, hoje extinto. Assim, dia a dia vem se impondo no esporte desta capital. Faz parte, este ano, da sé­rie ‘A’ da Associação Porto-Alegrense de Futebol, conquistando com galhardia o título de campeão do ‘Torneio Initium’ da série ‘A’ do cor­rente ano, sendo também um dos candidatos ao título de campeão da presente tempo­rada. À frente de sua diretoria desportista acha-se José Tiesberek, que não tem pou­pado esforços para elevar bem alto o nome da sociedade que dirige. [...]”

O Grêmio Sportivo Sokol (cujo nome é a palavra para “falcão” em polonês) foi uma agremiação esportiva representativa da comunidade polonesa de Porto Alegre. Suas cores eram o vermelho e o branco (as cores nacionais da Polônia) e ficou conhecido como “o colorado da rua São Pedro”. A data de sua extinção não é conhecida, mas figurou entre os clubes participantes das competições da cidade até ao menos 1939, quando integrava a segunda divisão da liga porto-alegrense recém reunificada.

O dia 1º de maio na história

  • 1829 Nasce em Fortaleza o advogado, político e escritor José de Alencar, autor de “O Guarani”.
  • 1844 O inventor americano Samuel Morse envia a primeira mensagem telegráfica da história.
  • 1865 O Império do Brasil, a Argentina e o Uruguai assinam o Tratado da Tríplice Aliança contra o Paraguai.
  • 1896 O xá do Irã, Naser al-Din, é assassinado por um seguidor do ativista político Jamal al-Din al-Afghani, opositor dos poderes ocidentais.
  • 1925 Fundado em Cantão (Guangdong) a Federação Nacional dos Sindicatos da China, o maior sindicato do mundo, com mais de 300 milhões de membros.
  • 1930 O recém descoberto planeta-anão recebe o nome de Plutão.
  • 1931 O Empire State Building é inaugurado em Nova Iorque.
  • 1945 Com a aproximação do Exército Vermelho, cerca de 2500 pessoas cometem suicídio de massa em Demmin, no nordeste da Alemanha nazista.
  • 1954 O presidente Getúlio Vargas assina decreto que aumenta o salário mínimo em 100%.
  • 1994 O tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna morre após acidente durante o GP de San Marino, em Ímola, na Itália.
  • 1997 O Partido Trabalhista vence as eleições no Reino Unido e Tony Blair se torna primeiro-ministro britânico.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios