Há um Século no CP

As vias urbanas se expandem rumo ao sul da Capital

Da edição de 26 de fevereiro de 1926, sexta-feira, n. 47

Por iniciativa de Vicente Monteggia, proprietário na zona sul da Capital, foi iniciada a pavimentação e a abertura de estradas na região, permitindo a circulação de automóveis
Por iniciativa de Vicente Monteggia, proprietário na zona sul da Capital, foi iniciada a pavimentação e a abertura de estradas na região, permitindo a circulação de automóveis Foto : CP Memória

“O sr. Vicente Monteggia, agricultor residente em Vila Nova, 5º distrito de Porto Alegre, por determinação da Intendência Municipal, foi encarregado de levantar os traçados das estradas do Morro Agudo [localidade próxima ao Morro da Tapera, no atual bairro Campo Novo] e Aberturas dos Morros. O traçado de Morro Agudo encurta grandemente a distância, isto é, em cerca de 7 quilômetros, entre a Vila Nova ao Passo do Salso. O de Belém Novo à estrada da Abertura dos Morros, passando pelo lugar denominado Campo Novo, determinará também um encurtamento de dois e meio quilômetros. Estas estradas não terão rampas superiores a 6% e os seus traçados foram feitos com o reconhecimento de mais duas estradas, sendo uma que se dirige ao Arraial do Espírito Santo e outra ao Passo da Areia, trechos estes que encurtarão o caminho em mais de légua. O custo total das obras está orçado em 800 contos de réis. Nos estudos enviados à municipalidade, diz o sr. Vicente Monteggia que os trabalhos acima são de grande monta, porque a estrada de ferro de Vila Nova não poderá ter o desenvolvimento que é de desejar, sem que sejam ultimados tais serviços. Conclui dizendo que o decreto federal nº 1962, de 30 de abril de 1913, permite e autoriza o empreendimento de tais obras e concorrentes não faltarão, desde que governos do Estado e município abram concorrência para os aludidos fins. Além de se poder considerar tais obras como poderosos fatores para o barateamento da vida e do desenvolvimento que trarão a toda zona por elas percorridas, serão até ditas estradas de carácter estratégico.”

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Ferrovias

“É inegável que, quanto maiores forem as comunicações terrestres, fluviais e marítimas de um país, maior será também o seu desenvolvimento industrial, comercial e agrícola. A economia interna de uma nacionalidade muito depende, incontestavelmente, da facilidade e do número dessas comunicações. A América do Norte, por exemplo, deve uma grande parte de sua operosidade industrial e de sua riqueza interna à pasmosa abundância das suas estradas de rodagem e ao seu desenvolvimento ferroviário. Ao nosso país, em relação à sua extensão territorial, bem possível que não corresponda o número das vias férreas que possui. Esse fato, reconhecido e indiscutível, não autoriza, todavia, que se presuma o Brasil alheio ou estacionário acerca do assunto. Seria uma inverdade e uma flagrante injustiça. A prova é que, em 1921, tinha o país 28.556 quilómetros de tráfego ferroviário, e desse ano ao de 1925 alguns quilômetros a mais foram já construídos, servindo várias regiões de alguns estados. Daqui se infere que se o desenvolvimento ferroviário no Brasil não tem caminhado com a celeridade e fartura que se faria mister à sua própria economia interna, também não foi entregue a um completo abandono. Não será mesmo demasiado otimismo prever-se que dentro de poucos anos seja um fato consumado a solução do nosso problema ferroviário. Para tanto basta que os nossos estadistas se preocupem mais com a administração que com a política partidária.”

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Primeiras edições

Da edição de 26 de fevereiro de 1896, quarta-feira, n. 48


Asseio público

“Está precisando ser melhorado o serviço do asseio público, cujas carroças, não hermeticamente fechadas como de direito, transitam pelas ruas da cidade num estado bem pouco lisonjeiro. Ainda ontem, às 10 horas da manhã, ia pela cadeia uma carroça em condições tais que levantou gerais protestos entre os passageiros do bonde que por ali passava na ocasião. Essa carroça levava o tampo superior quebrado, dando assim lugar a exalações insuportáveis. Por outro lado, também os cubos andam precisando de limpezas e desinfecções mais constantes e cuidadosas.”

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Policiamento

“Há muito já que não temos um simulacro que seja de policiamento, quanto mais um policiamento regular. Nossa capital, não só durante o dia, como em toda a noite, justamente quando mais necessária se torna a vigilância da polícia, jaz em um completo abandono, campo aberto às falcatruas dos ladrões e às sortidas dos malfeitores. No entanto, há necessidade urgente de um serviço de polícia que corresponda tanto ao seu desenvolvimento material como ao seu adiantamento social. Cabeça de um importante Estado e por si própria colocada em notável evidência, Porto Alegre não deve continuar com o péssimo serviço do policiamento que hoje tem. Como é sabido, devido ao movimento revolucionário do Estado [Revolução Federalista de 1893-1895], houve para aqui uma forte imigração de habitantes da campanha nacional, além de que dia a dia cresce entre nós a colónia estrangeira.

Ora, bem se vê que, com esses adventícios, se nos vêm os bons, chegam-nos também os maus elementos das diversas populações de que procedem. E não é preciso muita perspicácia para se reparar que, após a chegada desses estranhos, sensivelmente se modificaram as nossas condições habituais de segurança e tranquilidade. Seja, porém, como for, devido a que fatores sejam os deploráveis resultados, cumpre atalhar o mal incipiente. O que é preciso, antes de tudo, é que a cidade seja convenientemente policiada. Ainda na noite de domingo, deu-se, como noticiámos, um sério conflito no ponto mais central e populoso da capital, conflito do qual resultaram ferimentos e mortes, não sendo possível encontrar-se na ocasião uma só patrulha para impedi-lo, ou, depois, para capturar os criminosos. No entanto, o lamentável sucesso podia ser evitado, se em tempo comparecessem os que têm por dever velar pela segurança da população. Diversos pontos da cidade são teatro de constantes desordens, como a Colônia Africana, que se tem tornado célebre, e o Beco do Céu, à rua Coronel Fernando Machado, local onde, parece, o delito estabeleceu casa de pensão. A polícia, no entanto, mostra-se incapaz de manter a ordem, nestes como em diversos outros pontos da cidade. Por quê? Simplesmente porque não dispõe de um serviço completo de patrulhamento, como se encontra em todas as cidades de certa importância. Força não lhe falta, pois que aquartelados na capital acham-se mais de mil homens da brigada militar, que melhor serviço não poderiam atualmente prestar do que o de manter a tranquilidade e ordem públicas. [...]”

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O dia 26 de fevereiro na história

  • 1561 A cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra é fundada pelo conquistador espanhol Ñuflo de Chavez.
  • 1606 O navegador holandês Willem Janszoon se torna o primeiro europeu a desembarcar na Austrália.
  • 1616 O cientista italiano Galileu Galilei é formalmente proibido pela Igreja Católica de ensinar a sua teoria heliocêntrica.
  • 1802 Nasce em Besançon o escritor, poeta e político francês Victor Hugo, autor de “Os Miseráveis”.
  • 1815 O ex-imperador francês Napoleão Bonaparte foge de seu exílio na Ilha de Elba, na costa toscana.
  • 1869 Nasce em São Petersburgo a revolucionária e esposa de Vladimir Lênin, Nadezhda Krupskaya.
  • 1909 O primeiro processo de coloração de filmes, o Kinemacolor, é demonstrado ao público em Londres.
  • 1928 Nasce na Palestina britânica o general e político israelense Ariel Sharon, primeiro-ministro de Israel entre 2001 e 2006.
  • 1932 Nasce no Arkansas o cantor e compositor americano Johnny Cash.
  • 1935 Adolf Hitler ordena a reestruturação da Luftwaffe, a força aérea alemã, violando as determinações do Tratado de Versalhes.
  • 1954 Nasce em Istambul o político e atual presidente turco Recep Tayyip Erdogan.
  • 1971 Nasce em Dallas a cantora e compositora americana Erykah Badu.
  • 1993 Caminhão explode em atentado terrorista no estacionamento subterrâneo da Torre Norte do World Trade Center, em Nova Iorque, matando seis pessoas e ferindo mais de mil.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios.