“Faleceu esta manhã o sr. Mucio Teixeira.”
“N. da R. [nota da redação] — Era, apesar de alquebrada pela idade, pelos desenganos, pela doença, uma das figuras mais interessantes e mais populares do meio carioca, essa que a morte vem de ser anunciada pelo telegrama acima publicado. A vida agitada, irrequieta e longa de Múcio Teixeira foi repartida por uma tal multiplicidade de coisas antagônicas que, segundo ele próprio confessava, oferecia ensejo a que, sabendo-as, observando-as e conhecendo-as, se ficasse perplexo, como que fazendo-se uma tácita interrogação ao passado. Mucio Teixeira, Barão de Ergonte, como ultimamente se tornara mais conhecido desde que, abandonando quase as letras brasileiras, que tanto lhe devem, se transformara em hierofante, foi um dos mais brilhantes poetas do seu tempo e, sem favor, um dos literatos que menos ociosidade teve nas lutas da palavra escrita. Múcio Scevola Lopes Teixeira nasceu em Porto Alegre a 13 de setembro de 1858. Aos 15 anos publicava o seu primeiro livro de versos ‘Vozes trêmulas’ e, pouco depois, em 1875, ‘Violetas’, outra bela coletânea de poesias. Do seu livro de estreia, em 1873, e em 1885, quando lançou à publicidade ‘Hugorianos’ [o nome correto da obra é ‘Hugonianas’, em homenagem ao escritor francês Vitor Hugo], obra que mereceu rasgados encômios dos maiores literatos franceses, Mucio Teixeira repartiu sem descanso um só dia as várias modalidades do seu talento multiforme pelo jornalismo e pelo funcionalismo público, sempre com inexcedível brilho e invulgar merecimento.
As letras do país enriqueceram-se com a publicação de trabalhos de subido valor, muitos dos quais com três e quatro edições, completamente esgotadas. Várias das suas obras foram traduzidas para o francês, italiano, espanhol e inglês, por escritores de grande sobriedade quanto à vulgarização de autores de outros países que não os seus. A burocracia, mais por necessidade material que por temperamento, absorveu também uma parte da existência do ilustre extinto. Assim é que foi secretário da Província do Espírito Santo de 1880 a 1882 e, anos depois, passando à vida consular, exerceu o cargo de cônsul geral do Brasil nos Estados Unidos da Venezuela, funções que abandonou em 1889, assim que teve conhecimento da proclamação da República no seu país natal, pois que, muito embora Mucio Teixeira tenha sido sempre evangelizador platônico dos ideais vitoriosos, cedendo mais ao coração que ao cérebro, entendeu não dever trair a amizade particular com que o distinguia o Imperador, em cujo palácio viveu de 1885 a 1888. Voltando ao Brasil em princípios de 1890, foi eleito presidente do Banco Brasileiro, vivendo neste Estado no decurso de toda a revolução federalista, de 1893 a 1895, o que lhe forneceu ensejo para escrever o seu documentado e sugestivo livro sobre essa página da história gaúcha, intitulado ‘A revolução do Rio Grande do Sul, suas causas e seus efeitos’.
Meses depois transferia-se, com surpresa geral, para a Bahia, onde se demorou uns três anos, mais ou menos, visto que em 1899 Múcio Teixeira já se encontrava no Rio de Janeiro colaborando assiduamente, sobre os mais diversos assuntos, nos grandes jornais cariocas. Nessa época, dedicou-se intensamente à literatura teatral. E na metrópole da República ele se manteve 27 anos seguidos, tendo estado, em 1926, em São Paulo, entregue já à sua última obsessão: as ciências ocultas, de que se tornara um entusiasta e generoso panegirista. Possuía o saudoso patrício bastantes mercês honoríficas nacionais e estrangeiras, entre as quais a comenda de Cristo e a grã-cruz do libertador Simón Bolívar, sendo também cavaleiro da Ordem da Rosa, distinção raramente conferida, pertencendo igualmente a vários institutos literários e científicos e à Sociedade Propagadora de Belas Artes. A sua candidatura para a Academia Brasileira de Letras, apesar de sugerida algumas vezes, pelo mérito e número de suas obras, não vingou nunca, porque o temperamento indomável de Múcio Teixeira não se prestava às contumácias e transigências acomodatícias. Ninguém, todavia, ousava negar-lhe talento, que o possuía de sobra, nem atividade e inteligência.
Múcio Teixeira, nos 68 anos de sua existência, foi sempre um escravo do trabalho e das musas. Nem como hierofante, Barão de Ergonte, deixou de ser poeta nas fantasias de suas profecias e o seu belo espírito evidenciava-se logo na forma como se enunciava e redigia. Em 1900 estivera Múcio Teixeira à morte. Cego e paralítico, todos o consideravam perdido. Salvou-se e curou-se. Há dois anos, em São Paulo, adoecera outra vez. Mas o seu forte organismo venceu mais uma vez. E depois disso passeava ainda os seus 66 anos, com o seu inseparável monóculo, pelas avenidas cariocas, frequentando os meios literários e jornalísticos, onde o seu bom humor e lúcida inteligência o tornaram um elemento de superior destaque. Múcio Teixeira que, nos últimos anos de sua atribulada existência, predissera tantas calamidades e profetizara o desaparecimento de tantas pessoas ilustres, esquecera-se de si próprio.”
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Feito feminino
“A senhorita [Gertrude] Ederle conseguiu atravessar a [o Canal da] Mancha, vindo [para a costa inglesa] de Gris-Nez [na França], depois de 14 horas e 23 minutos [há divergências quanto aos minutos exatos devido a diferentes cronometragens], a nado, batendo o recorde.”
“A nadadora norte-americana ‘miss’ Ederle conseguiu atravessar a nado o Canal da Mancha, concluindo o percurso em 14h e meia.”
“A senhorita Gertrudes Ederle, primeira mulher que atravessa a nado a Mancha, durante a travessia encontrou grandes dificuldades por causa do vento e das correntes submarinas. Ao iniciar-se a terceira maré, a senhorita Ederle chegou ao outro lado da Mancha, aparentemente bem disposta, querendo ainda lançar-se ao mar para acompanhar o rebocador que a seguira depois de dez horas de natação. Os ‘treinadores’ tentaram dissuadi-la a abandonar a prova, julgando que ela não pudesse concluí-la; mas a senhorita Ederle recusou-se a obedecer-lhes. Até aos últimos dez minutos do início do ‘raid’, eram tantas as apostas sobre o seu êxito, tantos os obstáculos que encontrava por parte dos ventos. Durante todo o tempo, a senhorita Ederle usou um ‘crawl’ americano. Ao chegar à terra, foi saudada por um navio britânico que passava e hasteou a bandeira da Inglaterra, sendo respondido pelo rebocador, que hasteou a bandeira dos Estados Unidos. Inúmeras pessoas cumprimentaram a senhorita Ederle, que ainda passeou alguns instantes e queria nadar. Mais tarde, começou a queixar-se de fortes cãibras, que cederam com algumas fricções. A campeã está passando bem. [...]”
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Lonjura
“O general Cândido Mariano Rondon, segundo telegrama procedente de Cuiabá, acaba de chegar à capital de Mato Grosso, gastando desta [Rio de Janeiro] àquela cidade 6 dias. O percurso foi feito por via férrea até Três Lagoas e depois em automóvel. A nota curiosa da viagem é que fez 140 quilômetros, em automóvel, em 3 horas. É um recorde para Mato Grosso, que, até há bem pouco tempo, ficava no fim do mundo por falta de comunicações com o centro do País.”
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O dia 10 de agosto na história
- 612 a.C. Destruição da cidade assíria de Nínive por uma coalizão de medas, babilônios, citas e cimérios.
- 843 Tratado de Verdun: divisão do império franco entre três filhos de Carlos Magno.
- 1519 Fernão de Magalhães zarpa do sul da Espanha para a primeira viagem de circunavegação do globo.
- 1792 A invasão do Palácio das Tulherias, em Paris, leva à abolição da monarquia francesa e o estabelecimento da república.
- 1809 A região de Quito, no atual Equador, é a primeira a se declarar independente da Espanha na América Latina.
- 1822 Antioquia, na Síria, é atingida por severo terremoto: cerca de 20 mil mortos.
- 1864 Começa a Guerra contra Aguirre entre o Império do Brasil (aliado ao Partido Colorado) e o Partido Blanco no Uruguai.
- 1897 O químico alemão Felix Hoffmann sintetiza pela primeira vez o ácido acetilsalicílico, patenteado pela companhia Bayer como “aspirina”.
- 1912 Nasce em Itabuna, interior da Bahia, o escritor Jorge Amado.
- 1913 Tratado de Bucareste termina a Segunda Guerra dos Bálcãs entre a Bulgária, Romênia, Sérvia, Montenegro e a Grécia. Bulgária cede territórios.
- 1920 Tratado de Sèvres divide o Império Otomano entre os aliados..
- 1932 A Lego é fundada na Dinamarca por Ole Kirk Christiansen.
- 1935 A Rádio Jornal do Brasil inaugura suas transmissões no Rio de Janeiro.
- 1947 Nasce em Dunfermline, Escócia, o músico Ian Anderson, líder da banda britânica Jethro Tull.
- 1953 As tropas francesas se retiram do Vietnã.
- 1960 Nasce em Málaga o ator espanhol Antonio Banderas.
- 1961 Reino Unido candidata-se a membro do Mercado Comum Europeu.
- 1969 Após assassinar Sharon Tate e outras quatro pessoas, membros do culto de Charles Manson matam Leno e Rosemary LaBianca em Los Angeles.
- 1988 ONU estima a população da Ásia em 3 bilhões de pessoas.
- 1994 Últimas tropas britânicas deixam Hong Kong (presença desde 1841).
- 2018 Protestos contra o governo começam em Bucareste com mais de 400 feridos em confronto com a polícia.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
