Há um Século no CP

Nasce a nova (e atual) Usina do Gasômetro

Da edição de 23 de fevereiro de 1926, terça-feira, n. 44

A instalação substituiria a antiga usina no mesmo local e se tornaria símbolo da cidade
A instalação substituiria a antiga usina no mesmo local e se tornaria símbolo da cidade Foto : CP Memória

“A Companhia Energia Elétrica Rio-Grandense vai construir, nesta capital, uma usina termelétrica de grande potencialidade. A respeito dessa obra, o dr. Borges de Medeiros, presidente do Estado, recebeu ontem o seguinte telegrama: ‘RIO, 20 — Temos a satisfação de comunicar a V. Exa. que, por escritura pública de 18 de fevereiro [...] contratamos com a firma Christiani Nielsen a construção dos edifícios de cimento armado para a nova usina termoelétrica dessa cidade, com potência de 207.000 kW, a serem gerados pelo emprego do carvão nacional sob forma pulverizada e obtenção de subprodutos.

Todos os terrenos onde vai ser construída a usina foram adquiridos aí sem utilizarmos a lei de desapropriação, formando a quadra compreendida pela rua General Salustiano. Desde agosto estão contratados e sendo construídos os maquinismos da nova usina, como sejam tubos geradores das caldeiras, acessórios, pulverizadores, etc., com as fábricas Oerlikon Sulzer. Temos, assim, a subida honra de informar a V. Exa. que, não obstante muitas dificuldades técnicas e financeiras a que empreendimentos desta ordem são cercados, estamos realizando, em consórcio com a Companhia São Jerônimo, este grande melhoramento para a cidade de Porto Alegre, cujo desenvolvimento receberá certamente grande impulso pela utilização da nova usina. Certos de que esta notícia tem alto interesse para V. Exa., cujo amor ao progresso do Rio Grande e cujo espírito de ordem e justiça têm sido tão fastuosos, nos apressamos em dá-la, apresentando nossas respeitosas saudações. Elétrica Rio-Grandense – Pela Companhia Energética, (a) Eugênio Honold, Mário de Andrade Ramos, Otávio Reis’.”

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Carnaval

“O carnaval verdadeiramente popular realizou-se, este ano, na rua João Alfredo. Nos dias consagrados a deus Momo, houve ali animadíssimos festejos, que se prolongaram sempre até depois da meia-noite. Os moradores da antiga rua corresponderam ao apelo da comissão promotora dos festejos, iluminando na sua maior parte com lâmpadas elétricas e balões venezianos as fachadas de suas casas. Dois coretos foram armados, sendo um no entroncamento da rua Lopo Gonçalves e o outro nas proximidades da ponte do Menino Deus, tendo neles tocado bandas de música. O colossal movimento de povo não compreendeu somente a rua João Alfredo entre as ruas da República e Venâncio Aires: estendeu-se à praça Garibaldi, que se tornou pequena para conter a multidão que ali afluiu de todos os pontos da cidade. Anteontem, domingo da Pinhata ou ‘enterro dos ossos’, houve movimento em nada inferior aos dias anteriores, chegando-se a certas horas a andar com grande dificuldade até no meio da rua. O brilhante corso de automóveis, ocupados por pessoas de todas as classes sociais, deu vida às últimas homenagens a deus Momo. Duas extensas fileiras de veículos, das 20 horas até depois da meia-noite, rolaram sempre pela rua João Alfredo, nos trechos acima, havendo intenso jogo de lança-perfume, confete e serpentina. E o povo em peso associou-se aos jogos, travando-se renhidíssimas batalhas e não havendo sequer uma nota dissonante. Enquanto todos se divertiam a valer, na frente do coreto à rua João Alfredo, esquina da Lopo Gonçalves, a comissão de senhoras moradoras naquela quadra entregou ao ‘Chora na Esquina’ o prêmio que lhe coube no concurso de blocos, por não haver comparecido ao desempate. [...] Também foi feita a entrega da medalha de prata conferida aos Batutas, por haverem obtido uma bela colocação no concurso. Na entrega desta e da outra medalha, destinada ao Rei da Pandega, que se apresentou com belas lanternas, fez-se ouvir, em aplaudido discurso, o maestro Pedro Borges, que foi o técnico julgador. O Chora na Esquina, depois de receber o prêmio que lhe coube, fez-se ouvir em quatro das suas melhores canções, todas premiadas com grandes aplausos. Cerca de 1 hora, da rua João Alfredo retiravam-se as últimas pessoas que ali foram tomar parte nos festejos, que sempre decorreram na melhor ordem, apesar do grande movimento de povo.”

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Primeiras edições

Da edição de 22 de fevereiro de 1896, sábado, n. 45

Sanções

“Telegramas de Nova York comunicam que o presidente Cleveland declarou que pedirá ao Congresso dos Estados Unidos a decretação de medidas repressivas, caso continuem em Cuba os atentados cometidos pelas forças espanholas contra cidadãos americanos e suas propriedades.”


Da edição de 23 de fevereiro de 1896, domingo, n. 46

Tramandaí

“Escrevem-nos dessa pitoresca estação balneária, em data de 15 do corrente: ‘Esta estação balneária, histórica desde a arrojada operação de guerra [o transporte dos lanchões Farroupilha e Seival por terra entre o rio Capivari e a Barra de Tramandaí pelo exército farroupilha comandado por Giuseppe Garibaldi durante a Guerra dos Farrapos de 1835-1845], por si bastante para elevar o nome do imortal Garibaldi, vai prosperando de ano a ano. Para quem conhece a história dos valentes batalhadores de 35, a vista do rio Tramandaí, a sua estreita barra, recorda o nome desse glorioso republicano, o único que ousou sair barra fora com os pequenos lanchões que construiu expressamente para com eles dar batalha, como deu, à esquadra imperial ancorada no porto da Laguna. Esta barra (Tramandaí) oferece mesmo um fenômeno, direi fenômeno por não saber como classificar a mudança da barra que se opera ao impulso das areias e dos ventos. Fazem 23 anos que a barra existia próxima deste povoado, que é situado à margem direita do rio e a um quilômetro do mar, no mesmo lugar onde a vemos hoje, mas até 6 de abril do ano de 95 [1895] ela estava a cerca de 2 léguas ao norte. Nessa distância, os pescadores eram prejudicados, porque os peixes já não entravam em abundância para o rio Tramandaí; por isso auxiliaram as correntes deste e abriram a atual barra. O esteiro é fertilíssimo em peixe, com que se alimenta este povoado, e também é de margens esplêndidas, cobertas com verdejantes campinas. O povoado tem 130 casas, inclusive o Hotel de Saúde, o principal, e mais outros dois, o de D. Candinha e o Esperança. Aquele é o mais confortável, e dispõe de excelente cozinha e boas acomodações, onde se alojam os habitantes da capital que aqui se contam em grande número. O proprietário chegou até a criar um serviço especial de correio para carta e telegramas para a Conceição do Arroio [atual Osório].

Uma grande parte das casas de aluguel são cobertas de telhas e assoalhadas. Há aproximadamente umas 1500 pessoas, entre moradores e banhistas; e muitos destes já se retiraram por falta de acomodações, entretanto todos os dias chegam novos banhistas. Hotéis, casas de aluguel e de pescadores não comportam a população banhista que está até em barracas e carretas. O tempo corre bem e promete uma boa estação até fim de março, pois os ventos e sol ardente já passaram. No dia 8, os banhistas, com o consentimento do respectivo intendente do município, deram à praça principal o nome de praça Leonel, o dono do Hotel de Saúde. Este fato foi precedido de uma imponente festa, com música, foguetes e um bonito préstito formado pelos banhistas de ambos os sexos, e um luzido esquadrão, todos empunhando bandeirolas de cores. À noite fechou o festejo com iluminação geral e baile. É um gosto passar-se aqui nesta praia, preenchendo as horas entre as dos banhos, com músicas, bailes, caçadas, pescarias, piqueniques, etc. Ontem tivemos o desgosto de saber que na Cidreira um pavoroso incêndio devorou o hotel, a melhor casa de negócio e uma outra casa. Consta que o hotel salvou todos os móveis’.”

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O dia 23 de fevereiro na história

  • 1455 Data atribuída à publicação da Bíblia de Gutemberg, o primeiro livro impresso em tipos móveis no Ocidente.
  • 1685 Nasce em Halle o compositor barroco germano-britânico George Frideric Handel.
  • 1854 Declarada a independência do Estado Livre de Orange, na atual território da África do Sul.
  • 1883 Nasce em Oldenburg, no Império Alemão, o psiquiatra e filósofo germano-suíço Karl Jaspers.
  • 1886 O químico e inventor americano Charles Martin Hall obtém as primeiras amostras do seu método de produção viável do alumínio.
  • 1898 O escritor francês Émile Zola é preso após publicar a carta pública “J’Accuse…!” denunciando o antissemitismo do governo francês no Caso Dreyfus.
  • 1901 Fundado em São Paulo o centro de pesquisa médica Instituto Butantan.
  • 1903 Cuba cede perpetuamente a baía de Guantánamo aos EUA.
  • 1917 Primeiras manifestações em São Petersburgo, iniciando a Revolução de Fevereiro (primeira das duas revoluções que formam a Revolução Russa).
  • 1938 Nasce no Rio de Janeiro o cantor Wilson Simonal.
  • 1927 Nasce no Recife o sambista Bezerra da Silva.
  • 1941 O químico americano Glenn T. Seaborg produz, isola e identifica pela primeira vez o elemento plutônio.
  • 1943 A Organização Pan Helênica Unida da Juventude é fundada na Grécia como órgão de resistência contra a ocupação do Eixo.
  • 1944 A URSS inicia a deportação forçada de chechenos e inguches do norte do Cáucaso para a Ásia Central.
  • 1947 A Organização Internacional de Normalização (ISO) é fundada em Londres.
  • 1954 A primeira vacinação em massa em crianças contra a poliomielite começa em Pittsburgh, EUA.
  • 1958 O piloto argentino Juan Manuel Fangio é sequestrado por rebeldes ligados à Revolução Cubana às vésperas do GP em Havana; Fangio é libertado no dia seguinte à corrida.
  • 1981 Golpe de Estado fracassa na Espanha: o militar Antonio Tejero e outros 200 oficiais armados mantém os deputados reféns na Câmara por 18 horas; os sediciosos se entregam na manhã seguinte.
  • 1988 Saddam Hussein inicia o genocídio de Anfal contra curdos e assírios do norte do Iraque, matando entre 50 e 100 mil pessoas.
  • 1991 O primeiro-ministro tailandês Chatichai Choonhavan é deposto em golpe de Estado liderado pelo general Sunthorn Kongsompong.
  • 2001 A estação espacial soviética/russa Mir cai no Pacífico Sul ao ser desativada após 15 anos.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios.