“O sr. Mello Franco, delegado brasileiro na Liga, declarou que o Brasil não continuará como membro não permanente no Conselho, depois da assembleia de setembro próximo. A declaração do sr. Mello Franco deixa prever que o Brasil espera a decisão final da comissão de reorganização do quadro do Conselho, mas que a sua aceitação de um lugar não permanente é impossível.”
“O Conselho aprovou a opinião dos srs. Seialoja e Boncour, mandando baixar à assembleia o pedido de demissão do Brasil apresentado pelo sr. Mello Franco. À vista da manifestação dos membros, o Conselho resolveu comunicar para o Rio a sua decisão, recusando unanimemente a demissão solicitada.”
“Longa exposição de motivos do Brasil renunciando ao lugar que ocupava na Liga das Nações começa agradecendo as sucessivas eleições para o cargo que ocupou durante 7 anos. Passa depois a historiar como o desempenhou, assinalando que assim procedeu persuadido de que servia à organização de caráter universal destinada a realizar o ideal pacifista que Wilson [Woodrow Wilson, presidente americano de 1913 a 1921] apostolou. Confessa que se iludiu nessa esperança e que por ela fez sacrifícios. Assinala o prestígio que os Estados Unidos trariam à Liga no sentido da paz universal. A presença do Brasil e do Uruguai não basta para atenuar aquela desvantagem. O Brasil candidatou-se a um lugar permanente na Liga pela ausência de outra candidatura americana. Põe em relevo o exclusivismo manifesto que queria ladear o Brasil. Este queria aumento dos lugares permanentes. Depois de outras considerações, diz que já é tempo de se respeitarem mais os princípios e de se adotarem melhores processos em política internacional. Condena os pactos secretos. Confessa que ainda havia suspeita de que havia compromisso para a entrada exclusiva da Alemanha para um posto permanente. Nestas condições, quando o Brasil foi consultado, manifestou-se favorável, simpático, mas votou contra quando soube da exclusividade para a Alemanha entrar. Depois diz que, colocado na posição em que o foi, o Brasil cumpriu o seu dever, anunciando com firmeza a atitude que tomaria, embora o duplo desgosto que dali lhe vinha por impedir, naquele momento, a entrada de uma Nação amiga que não pode ficar fora da Liga, por contrariar a vontade de outras Nações, também amigas, com quem tem colaborado cordialmente em Genebra por tantos anos. Atingido diretamente pela desconsideração, que o ameaçava na sua personalidade política e moral, o Brasil agiu, como ainda hoje agiria, usando num caso singular do mesmo direito que o representante da Suécia usou de um modo global e que não mereceu a mesma crítica, vetando este todos os indicados, fossem quais fossem ou viessem a ser, exceto a Alemanha. O Brasil quis salvar a Liga do declive a que desceria, baixando do pedestal de órgão das Nações, de uma instituição de caráter universal, cultora do direito e advogada da boa justiça entre os povos, para se transformar em agremiação destinada a facilitar a execução do que houvessem por bem decidir as grandes potências, perdendo assim o seu característico universal. A missão que tinha era de preparar um melhor futuro para os povos que o reclamam e, no entanto, acaba retrocedendo nos seus destinos para passar a ser, talvez, um simples instrumento de perpetuação do passado. A Liga das grandes potências é quase exclusivamente europeia e, em todo caso, não a americana que ora se parece criar em consequência dos atos e deturpações tumultuárias da organização daquela. Esta será, de fato, um novo instituto usando do seu direito de veto, com pesar, mas com a tranquilidade de quem cumpre um dever indeclinável. O Brasil desejaria ter sido compreendido e atendido, mas, em caso contrário, foi sempre seu pensamento não insistir, recusando a situação em que o quiseram colocar e advertindo as Nações do declive a que será arrastada a Liga. Era e é meu firme propósito deixar às grandes potências as responsabilidades do que quiseram fazer e recolher-se ao seu ambiente próprio, por fidelidade aos ideais da América, sem o respeito aos quais não se logrará nunca acabar com a competição dos armamentos e implantar definitivamente a paz no mundo, pairando a guerra de agressão como um crime internacional, substituindo pela arbitragem obrigatória todos os processos de violência até hoje usados. Termina renunciando, pesaroso, à honra de participar da Liga.”
“O sr. Edwin Morgan, embaixador americano, acaba de visitar o presidente da República, apresentando congratulações, em nome do seu governo, pela atitude do Brasil na Liga das Nações.”
“O sr. Edwin Morgan, embaixador dos Estados Unidos no nosso país, foi felicitar o sr. Arthur Bernardes, presidente da República, pela atitude do Brasil na Liga das Nações.”
“A Imprensa local, unânime, dedica editoriais à renúncia do Brasil ao seu posto na Liga das Nações, assinalando que foi vitoriosa a opinião de todos os brasileiros, concordando com a atitude assumida na véspera.”
“‘A Manhã’, em seu número de hoje, comentando a retirada do Brasil da Liga das Nações, diz que foi a vitória do bom senso.”
“Vários jornais oposicionistas transcrevem trechos da exposição dos motivos que levaram o Brasil a retirar-se da Liga das Nações, mostrando que o governo alegou as mesmas razões invocadas pelos referidos jornais, quando aconselhavam, há tempos, que o Brasil abandonasse aquele instituto para dedicar-se mais aos assuntos sul-americanos.”
_
Gás natural nacional
“Já de algum tempo vem o governo da República executando sondagens em várias zonas do País com o fim de verificar a existência no nosso subsolo de gás natural. As pesquisas realizadas em São Paulo e Paraná são animadoras e parecem indicar a possibilidade de uma indústria do mais alto valor econômico e que dentro de um prazo curto poderá ser uma das nossas grandes riquezas. O orçamento do ano corrente, que ainda está para ser discutido, consigna uma verba para o prosseguimento desse estudo e para a compra do material técnico imprescindível. Mas antes que seja votado o orçamento, ficaria o governo sem recursos necessários para uma obra que devemos levar a cabo sem interrupção. O governo acaba, por isso, de pedir um crédito ao Congresso para custear as pesquisas. Queira Deus que os ilustres paredros, nalgum intervalo das suas altas preocupações elegantes e mundanas, possam dar um pouco de atenção ao importante problema e dotar a administração pública com os recursos que ela agora lhes pede para fins não políticos.”
O dia 13 de junho na história
- 1763 Nasce em Santos o diplomata, estadista, naturalista e poeta luso-brasileiro José Bonifácio de Andrada e Silva, um dos principais mentores da independência do Brasil.
- 1850 A Liga Americana dos Trabalhadores de Cor, o primeiro sindicato de afro-americanos dos EUA, é fundado em Nova Iorque.
- 1865 Nasce em Sandymount, na Irlanda, o poeta, escritor e crítico William Butler Yeats.
- 1888 Nasce em Lisboa o poeta, crítico, tradutor e editor português Fernando Pessoa, um dos maiores poetas da língua portuguesa.
- 1917 O ataque aéreo alemão mais mortal da Primeira Guerra sobre Londres resulta em 162 mortes e 432 feridos.
- 1917 As primeiras tropas americanas chegam à Europa para lutar na Primeira Guerra.
- 1971 O jornal americano The New York Times começa a publicar a série de documentos “The Pentagon Papers” revelando mentiras do governo dos EUA sobre a Guerra do Vietnã.
- 1982 Duas grandes batalhas entre forças britânicas e argentinas, a de Tumbledown e de Wireless Ridge, ocorrem durante a Guerra das Malvinas.
- 1983 A espaçonave Pioneer 10 se torna o primeiro artefato humano a deixar o sistema solar central ao ultrapassar a órbita de Netuno.
- 2000 O presidente sul-coreano Kim Dae-jung e o líder norte-coreano Kim Jong-il se encontram em Pyongyang na primeira reunião entre os dois países.
- 2005 O astro pop Michael Jackson é inocentado pelo júri da acusação de moléstia sexual infantil praticada em 1993.
O dia 14 de junho na história
- 1158 A cidade alemã de Munique é fundada por Henrique, duque da Saxônia e da Bavária, às margens do rio Isar.
- 1775 O Exército Continental é criado, marcando o nascimento das Forças Armadas dos EUA.
- 1777 Os EUA adotam oficialmente a “Stars and Stripes” como sua bandeira nacional.
- 1800 O exército francês vence os austríacos na Batalha de Marengo, no norte da Itália; Napoleão reconquista o país.
- 1894 Nasce em Moquegua o escritor, sociólogo, historiador, jornalista e filósofo marxista peruano José Carlos Mariátegui.
- 1900 O Havaí se torna um território dos EUA.
- 1909 Morre no exercício do cargo o presidente da República Afonso Pena.
- 1916 Morre em Pelotas o escritor e empresário João Simões de Lopes Neto, expoente da literatura regionalista, autor dos “Contos gauchescos” e “Lendas do Sul”.
- 1920 Morre em Munique o sociólogo alemão Max Weber, autor de “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”.
- 1926 Membro fundador da Liga das Nações, o Brasil se retira da organização internacional.
- 1928 Nasce em Rosário o médico e revolucionário argentino Ernesto “Che” Guevara.
- 1940 Começa a ocupação nazista de Paris durante a Segunda Guerra Mundial.
- 1940 728 prisioneiros políticos da cidade polonesa de Tarnów se tornam os primeiros ocupantes do campo de concentração de Auschwitz.
- 1941 Começa a primeira grande onda de deportação em massa dos países bálticos ordenada pela URSS.
- 1946 Nasce em Nova Iorque o empresário americano Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
- 1949 O macaco Albert II se torna o primeiro mamífero a viajar ao espaço ao tripular foguete V-2 à altitude de 134 quilômetros.
- 1962 A Organização de Pesquisa Espacial Europeia é fundada em Paris; mais tarde se torna a Agência Espacial Europeia.
- 1982 As forças argentinas posicionadas em Stanley, capital das Malvinas, se entregam ao exército britânico, encerrando a Guerra das Malvinas.
- 1985 Cinco membros da Comunidade Econômica Europeia assinam o Acordo de Schengen estabelecendo área de trânsito livre, sem controles de fronteira.
- 1986 Morre em Genebra o escritor, poeta e tradutor argentino Jorge Luis Borges.
- 1992 A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco ’92, é encerrada na capital fluminense.
- 1995 Morre em Londres o músico irlandês Rory Gallagher, um dos maiores guitarristas da história.
- 2017 Incêndio de 60 horas em edifício residencial em North Kensington, oeste de Londres, deixa 72 pessoas mortas.
- 2018 Começa na Rússia a 21ª edição da Copa do Mundo de futebol.
* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios
