Há um Século no CP

O início da dedicada cobertura de carnaval do Correio do Povo

Da edição de 14 de fevereiro de 1926, domingo, n. 38

A edição fala sobre como a rua dos Andradas estava cheia de gente esperando o desfile das sociedades carnalavescas.
A edição fala sobre como a rua dos Andradas estava cheia de gente esperando o desfile das sociedades carnalavescas. Foto : CP Memória

“Estamos em pleno reinado de Momo!... Por todos os recantos da cidade estridulam clarins, vê-se o barulho ensurdecedor dos ‘zé-pereiras’, a gargalhada franca e estrídula, os gritos de aclamação ao rei da Folia, o velho rei jogral da Pandega, que vai passando. Deus Momo é chegado. Para saudá-lo, expandem-se todos os corações, desabrocham em cascalhar de risos todas as bocas, e todas as criaturas, velhas, novas, feias e bonitas, perdem a compostura, abandonam a velha máscara dos preconceitos sociais para à rua partilhar da galhofa, aspirar o perfume da alegria ambiente, esquecer, num instante, as coisas prosaicas e dolorosas da vida e vêm… Viva o carnaval! Ele é uma espécie de primavera moral, fazendo rebentar alegrias de corações que pareciam mortos, colorindo o ar de confete e serpentinas, perfumando o espaço com o éter fino e aromático. E quantos corações consegue também enlaçar na teia sutil do amor, durante o seu efêmero reinado? Estamos em pleno reinado de Momo!... Já ontem era iniciada essa monumental folia com os primeiros bailes burlescos, festividades deslumbrantes, resplandecentes de beleza e graça, transbordantes de entusiasmo e alegria.

Em todos os bairros da cidade, dos mais humildes aos mais aristocráticos, foram realizadas festas, e o povo em geral já estava contaminado da febre carnavalesca. A rua dos Andradas apresentava aspecto encantador, apinhada de povo, que esperava, ansioso, a passagem dos imponentes corsos das sociedades Philosophia, Esmeralda e Filhos do Inferno, em demanda aos brilhantes bailes que realizaram. Também em São João, Navegantes e Azenha e rua Alfredo, em cujos bairros serão prestadas belas homenagens a Momo durante o Carnaval, o povo entregou-se animadamente aos folguedos, havendo belos saraus, corso e jogos nas ruas. É certo por isso que esse entusiasmo crescerá de intensidade durante os três dias de Carnaval e se transformará em verdadeiro delírio. Damos, a seguir, circunstanciadas notícias das festividades a serem realizadas hoje, em todos os pontos da cidade. [...]”

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Em busca de espécimens

“Procedente de Nova Iorque, fundeou na baía de Guanabara o paquete ‘Southern Cross’, com doze dias de viagem. É excelente o estado sanitário de bordo. Esse navio a vapor trouxe para o porto desta capital [Rio de Janeiro] 441 passageiros, sendo 42 de primeira classe e 2 de terceira. Como passageiro estava o sr. Noasch Rogers que, em ligeira palestra, disse conhecer a riqueza da flora sul-americana e que há muito tinha vontade de fazer uma excursão a este continente, mas que circunstâncias de várias ordens o impediam de satisfazê-la. Agora, apresentando-se a oportunidade desejada, vem à América do Sul como naturalista viajante do Jardim Botânico de Washington. Foi com alegria que embarcou para aqui, pretendendo demorar-se algumas semanas no Rio, devendo depois partir para o interior do Brasil em busca de espécimes que enriqueçam as coleções norte-americanas. O sr. Noasch Rogers visitou o nosso Jardim Botânico.”

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Primeiras edições

Da edição de 14 de fevereiro de 1896, sexta-feira, n. 38

Assistência jurídica

“Como se sabe, a nova lei judiciária do Estado criou a assistência gratuita para as pessoas pobres que, em defesa de seus direitos, tenham de pleitear questão no foro cível ou criminal. Assim, haverá cada mês um advogado com obrigação de patrocinar gratuitamente as causas dos litigantes que se lhe apresentem exibindo documento comprobatório de falta de recursos. Ficou ontem iniciado esse serviço com a designação do dr. Francisco de Borja de Macedo Couto para encarregado de tal incumbência no corrente mês de fevereiro.”

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Nova alfândega

“A construção de uma alfândega em Porto Alegre é medida que desde muito se impõe como necessidade instantemente reclamada por um sem-número de razões ponderáveis. E só o que não se encontrará é motivo que possa justificar, por qualquer forma, a desídia com que esse melhoramento vai sendo procrastinado, sem nenhuma vantagem que contrapese os graves prejuízos de tais delongas.

O governo federal deverá quanto antes prover a essa necessidade, que não redundaria em benefício exclusivo da nossa capital e do comércio, se não também do fisco. É triste que uma cidade como Porto Alegre, populosa e comercial, tenha por alfândega o acanhado pardieiro encravado no centro da praça Senador Florêncio. Sem acomodações suficientes para o funcionamento da repartição, foi esse barracão transformado em armazém de depósito, tendo o governo de alugar outro prédio, onde é feito o serviço de expediente. Além desse, houve necessidade de locar mais três armazéns, todos eles custando exorbitantes aluguéis mensais. Daí se deduz que o governo, construindo uma alfândega, teria só na economia dos aluguéis de tais prédios um largo juro para o capital despendido na construção. Afora a economia de dinheiro, que seria grande, viriam a economia de tempo e a regularidade e fiscalização no serviço, vantagens que muito em conta devem ser tidas. Nas condições atuais tudo se torna difícil e irregular. O pessoal, em vez de estar localizado em um só edifício, sob a fiscalização imediata de um chefe, acha-se distribuído por diversas casas. Assim, muitas vezes, andam as partes de armazém em armazém, ou à procura de suas mercadorias, ou em busca dos empregados. Demais, como a alfândega não possui um trapiche que possa receber diretamente as cargas, estas, antes de chegar às mãos do destinatário, são baldeadas dos navios que as trazem para as lanchas de depósito, onde às vezes passam até meses, à espera de que os armazéns possam ter espaço para recebê-las. E, como essa permanência de cargas nas lanchas custa bom dinheiro, não só o comércio é prejudicado na excessiva demora com que retira as suas mercadorias, como sofre também o consumidor, o povo, que afinal é quem paga os gravames desse novo ônus. Construída uma nova alfândega, o governo economizaria mensalmente boa soma em aluguéis de prédios; seria menor o pessoal empregado no serviço; este far-se-ia com mais regularidade e sob mais severa fiscalização; o comércio não teria as dificuldades e os prejuízos que hoje tem com a demora no despacho de suas mercadorias; e a massa dos consumidores não seria onerada com essa espécie de imposto extraordinário que hoje pesa sobre a sua bolsa. E por que não se há de empreender tal melhoramento, quando o governo federal tudo teria a lucrar com ele, quando já possui para isso terreno apropriado, e quando a alfândega de Porto Alegre está rendendo mais de 1.500 contos por mês?”

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O dia 14 de fevereiro na história

  • 1876 O cientista e inventor canadense-americano Alexander Graham Bell solicita a patente do telefone.
  • 1879 O exército chileno ocupa a cidade portuária boliviana de Antofagasta, desencadeando a Guerra do Pacífico.
  • 1919 Começa a guerra entre a Polônia e a Rússia que irá se estender até 1921.
  • 1929 O médico escocês Alexander Fleming anuncia a descoberta da penicilina, o primeiro antibiótico eficaz contra infecções bacterianas.
  • 1944 Nasce em Washington o jornalista e escritor americano Carl Bernstein, repórter, juntamente com Bob Woodward, do escândalo Watergate.
  • 1949 O Knesset, o parlamento israelense, é convocado pela primeira vez.
  • 1961 O elemento químico Laurêncio (número atômico 103) é sintetizado pela primeira vez, na Universidade da Califórnia.
  • 1977 O boxeador Éder Jofre entrega à imprensa sua “carta de despedida ao povo brasileiro”, encerrando a carreira aos 40 anos.
  • 1987 Nasce em Salto o jogador uruguaio Edinson Cavani.
  • 1989 O líder iraniano Khomeini emite uma fatwa encorajando muçulmanos a matar o escritor britânico Salman Rushdie, autor de “Os Versos Satânicos”.
  • 1996 Morre de câncer aos 50 anos o músico e compositor Taiguara.
  • 2003 O presidente-executivo de monitoramento e inspeção da ONU reporta ao Comitê de Segurança que não foram encontras armas de destruição em massa no Iraque.
  • 2003 Morre na Escócia a ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado com sucesso, em 1996.
  • 2005 O primeiro-ministro libanês Rafic Hariri é morto em explosão de uma tonelada de TNT em Beirute.
  • 2005 O YouTube é lançado na Califórnia por um grupo de estudantes universitários.
  • 2011 Ronaldo “Fenômeno” anuncia sua retirada dos gramados como jogador profissional aos 34 anos.
  • 2021 Morre em Buenos Aires o ex-presidente argentino Carlos Menem, primeiro mandatário entre 1989 e 1999.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios.