Há um Século no CP

O misterioso roubo das fichas de frequência da Faculdade de Direito

Da edição de 24 de outubro de 1926, domingo, n. 252

Invasor furtou alguns dos registros da instituição, mas o controle ainda poderia ser verificado através de outros documentos
Invasor furtou alguns dos registros da instituição, mas o controle ainda poderia ser verificado através de outros documentos Foto : CP Memória

“Conforme é do domínio público, os estudantes da Faculdade de Direito desta capital vêm, de algum tempo a esta parte, se batendo pela frequência livre. Alegam eles que a lei da frequência obrigatória os prejudica enormemente, pois a maioria desses estudantes necessita trabalhar para manter a sua subsistência e satisfazer as taxas onerosas do ensino na Faculdade. Movidos por essa aspiração que não encontrou eco na diretoria daquele estabelecimento, os estudantes voltaram-se esperançosos para o Conselho Superior do Ensino, mas encontraram aí também fechada a porta. Dirigindo-se em longo memorial ao chefe do Departamento Nacional do Ensino, dr. Rocha Vaz, esse desatendeu ao apelo, confirmando o ato da direção da Faculdade. Ontem, numa hora de desespero em face dessa situação angustiosa, um aluno, ao que se supõe, furtou as cadernetas de frequência da escola guardadas em um dos armários da secretaria do Estabelecimento. Não se sabe ainda quem foi, mas os estudantes da Faculdade, com o humorismo que caracteriza a classe acadêmica, já cognominaram o autor da façanha de ‘herói desconhecido’. O autor do furto das cadernetas executou-o sem deixar o mais leve vestígio. Conhecedor do lugar onde eram guardadas as chaves do armário em que estavam as referidas cadernetas, conseguiu delas apoderar-se, tornando-se-lhe assim fácil alcançar o seu objetivo sem forçar aquele imóvel. Admitida a possibilidade da não coparticipação dos empregados subalternos da Faculdade de Direito, o plano foi executado no intervalo do meio-dia, quando o estabelecimento se fecha, às 14 horas, quando é novamente aberto. Assim, presume-se que, após a saída dos bedéis, o autor ou autores do ‘assalto’ penetraram no recinto daquela Escola, escalando o muro que a separa da Escola de Engenharia. Não só as cadernetas foram subtraídas. O ‘herói desconhecido’ carregou juntamente várias resenhas dos mapas mensais de frequência às aulas. O acontecimento em foco agitou grandemente os estudantes da nossa Faculdade de Direito, mostrando-se todos surpresos ante a insólita façanha. Entre os estudantes de outras Escolas, que já anteriormente haviam emprestado a sua solidariedade aos seus colegas quando surgiu a questão da frequência, o fato teve também repercussão. Foi aberto rigoroso inquérito pela diretoria da Escola de Direito. Soubemos que em poder da mesma restam os mapas mensais e o livro de frequência. Há cinco dias, o estabelecimento recebera a visita do respectivo fiscal, dr. Alcides Flores Soares, que examinara os referidos mapas, rubricando-os. Assim, dizia-se, se o autor da façanha pretendia beneficiar os estudantes de Direito, não conseguiu o seu desideratum. Reina grande ansiedade entre a classe de acadêmicos de Direito para saber-se qual a atitude da diretoria da Escola ante o fato ontem verificado, cuja autoria até à hora em que escrevemos esta nota era desconhecida. A propósito da frequência obrigatória, é sabido que alunos que não possuem a assiduidade exigida somente poderão prestar exames na segunda época. As aulas da Faculdade de Direito, segundo nos informou o seu secretário, dr. Normelio Rosa, prosseguirão, a despeito do caso ali verificado.”

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Manifesto dos banqueiros

“O ministro do Comércio [da França] recebeu esta tarde uma delegação de representantes das indústrias francesas, as quais lhe declararam que não colaboraram na redação do manifesto dos banqueiros na forma por que foi publicado [...] Os delegados das indústrias francesas declararam mais, que, em junho passado, tinham assinado uma nota independente, que os jornais apresentaram injustamente apenas como uma simples reserva ao manifesto.”

“A imprensa [italiana] acolheu com visível hostilidade o plano dos banqueiros internacionais para suprimir as barreiras aduaneiras, sem disfarçar o modo de pensar da Itália. A esse respeito, salientam os jornais que a execução do plano é inviável, visto ser o mesmo de efeitos unilaterais. ‘Il Popolo D'Italia’ declara que o projeto está fadado a um fracasso inevitável e acrescenta que as primeiras observações sobre o manifesto dos banqueiros foram cheias de ironia, se se tem em conta que os países mais ricos do mundo, fartamente abastecidos de matérias-primas, excluem-se do concerto internacional, mantendo-se em esplêndido isolamento, negando-se até a receber em seus territórios algumas centenas ou milhares de homens que somente desejam trabalhar. O mesmo jornal pergunta, sarcasticamente: ‘Os homens de negócios influenciados, que comemoraram o ano franciscano, sentem abrandado o coração?’.”

“Conversando com íntimos da Casa Branca, o presidente [americano Calvin] Coolidge declarou que o manifesto dos banqueiros internacionais interessa somente à Europa.”

“O [jornal britânico] ‘Daily Mail’, comentando o trust financeiro internacional em perspectiva, diz que a exceção dispensada no exterior ao manifesto induz a possibilidade de dúvida quanto ao fato de não existir a mais leve condição de viabilidade para o abandono das barreiras tarifárias dos países estrangeiros.”

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O dia 24 de outubro na história

  • 1795 A Polônia deixa de existir como entidade política, dividida entre Prússia, Império Russo e Áustria.
  • 1848 Manaus, ainda com o nome de Barra do Rio Negro, é elevada à categoria de cidade.
  • 1857 O clube de futebol mais antigo ainda existente, o Sheffield F.C., é fundado na Inglaterra.
  • 1860 A Segunda Guerra do Ópio é formalmente encerrada com a Convenção de Pequim; a dinastia Qing cede Kowloon ao Império Britânico.
  • 1902 O vulcão Santa Maria, na Guatemala, entra em erupção, a terceira maior do século XX.
  • 1917 A Itália sofre desastrosa derrota na Batalha de Caporetto durante a Primeira Guerra.
  • 1926 O ilusionista Harry Houdini faz a última exibição de sua carreira, no teatro Garrick, em Detroit.
  • 1929 A “Quinta-feira Negra”, dia de maior venda de ações da história americana, marca o crash da Bolsa de Nova Iorque e o início da Grande Depressão.
  • 1930 Golpe de Estado articulado pelas elites políticas de Minas Gerais, Rio Grande e Paraíba depõe o presidente Washington Luís, encerrando a República Velha no Brasil.
  • 1932 Nasce em Caratinga, Minas Gerais, o cartunista, escritor e jornalista Ziraldo.
  • 1933 Lançada a pedra fundamental da cidade de Goiânia, planejada para se tornar a capital do estado de Goiás.
  • 1945 A Carta das Nações Unidas entra oficialmente em vigor.
  • 1946 A primeira foto da Terra feita do espaço é tirada pelo foguete americano V-2 n.13.
  • 1950 O Tibete é formalmente anexado à República Popular da China.
  • 1957 Morre o estilista e designer francês Christian Dior.
  • 1964 A Rodésia do Norte obtém a independência do Reino Unido e se torna Zâmbia.
  • 1970 O congresso chileno aprova o nome de Salvador Allende, vencedor das eleições, para a presidência da república.
  • 1975 Cerca de 90% das mulheres participam de greve nacional na Islândia protestando contra a desigualdade de gênero.
  • 1978 A banda canadense Rush lança o álbum “Hemispheres”.
  • 1994 Morre em Nova Iorque o ator porto-riquenho Raul Julia.
  • 2003 O avião supersônico anglo-francês Concorde faz seu último voo comercial.
  • 2005 Morre a ativista americana Rosa Parks que em 1956 se recusou a dar o lugar a uma pessoa branca em ônibus no Alabama, desencadeando movimento pelos direitos civis.
  • 2008 “Bloody Friday”: diversas bolsas de valores do mundo apresentam o pior declínio histórico com a queda de cerca de 10% na maioria dos índices.


O dia 25 de outubro na história

  • 1147 Após cerco de quatro meses, cavaleiros cruzados reconquistam Lisboa do domínio muçulmano.
  • 1825 O Império do Brasil declara guerra às Províncias Unidas do Rio da Prata pela posse da Província Cisplatina, ou Oriental (atual Uruguai).
  • 1838 Nasce em Paris o compositor francês Georges Bizet, autor da ópera “Carmen”.
  • 1854 A Batalha de Balaclava ocorre durante a Guerra da Crimeia; será imortalizada no poema “The Charge of the Light Brigade”, de Lord Tennyson.
  • 1881 Nasce em Málaga, Espanha, o pintor e escultor Pablo Picasso.
  • 1924 A “Carta Zinoviev”, documento forjado em que o líder da Internacional Comunista ordenava atividades sediciosas ao Partido Comunista Britânico, é publicada pelo jornal conservador Daily Mail.
  • 1927 O transatlântico italiano de luxo Principessa Mafalda afunda na costa sul da Bahia, matando 314 pessoas.
  • 1945 Termina o período de 50 anos de administração japonesa de Taiwan; a República da China assume o controle.
  • 1946 Nasce em Valparaíso, Chile, o ex-jogador de futebol Elías Figueroa, ídolo colorado.
  • 1969 O general Emílio Garrastazu Médici é eleito de forma indireta para a presidência da República.
  • 1971 A República Popular da China substitui a República da China nas Nações Unidas.
  • 1975 O jornalista Vladimir Herzog é encontrado morto em São Paulo após severas torturas sofridas pela repressão durante a ditadura militar, que alegou suicídio por enforcamento.
  • 1983 Os EUA e aliados do Caribe invadem Granada na sequência de um golpe de estado que depôs e matou o presidente socialista Maurice Bishop.
  • 1990 A República Socialista Soviética Cazaque declara sua soberania em relação à URSS.
  • 1997 Durante guerra civil, o militar Denis Sassou Nguesso se autoproclama presidente da República do Congo.
  • 2001 A Microsoft lança o sistema operacional Windows XP.
  • 2016 Morre no Rio de Janeiro o ex-jogador Carlos Alberto Torres, capitão da Seleção tricampeão na Copa de 1970.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios