Há um Século no CP

Propostas visam a reversão da lei seca nos EUA

Da edição de 12 de fevereiro de 1926, sexta-feira, n. 36

O Conselho Federal das igrejas dos Estados Unidos promove uma campanha para que se torne permitido legalmente o consumo da cerveja e de bebidas alcóolicas leves.
O Conselho Federal das igrejas dos Estados Unidos promove uma campanha para que se torne permitido legalmente o consumo da cerveja e de bebidas alcóolicas leves. Foto : CP Memória

“Como toda a gente sabe, é de data muito recente, nos Estados Unidos, a chamada lei seca, que teve como intuito dar cabo do alcoolismo na grande República do Norte e que partia desse antigo princípio: suprimir o uso para evitar o abuso. A existência de uma lei proibindo, sob pena de severa punição, o fabrico e o uso de bebidas alcoólicas não quer dizer que se não bebesse mais nos Estados Unidos. Bebia-se. Apenas bebia-se às escondidas, fraudulentamente, e Deus sabe os prodigiosos ‘truques’ imaginados pelos apreciadores do uísque e do ‘Cordon rouge’ para escaparem à sanção da lei, sem se privarem dos seus hábitos. Um vício que se persegue não é um vício que desaparece, é um vício que se esconde. E os vícios que se praticam ocultamente são cem vezes piores do que os que se exercem em plena liberdade. O que parece é que a lei seca, sem produzir os efeitos desejados, criou, ou pelo menos desenvolveu, em grandes proporções um outro vício: o da esperteza em fraudar a lei. Por isso, ou por outros motivos, porque o álcool prejudique especialmente o corpo, ao passo que a mentira estrague sobretudo a alma, o fato é que o Conselho Federal das igrejas dos Estados Unidos está promovendo uma campanha tenaz para que se torne permitido legalmente o consumo da cerveja e de bebidas leves, sob o argumento de que a proibição absoluta trouxe péssimos efeitos morais e sociais à comunhão na América. Eis aí o resultado inesperado de uma lei em que estavam depositadas as mais largas esperanças como medida de ordem pública e garantia para a moralidade da raça. Positivamente, só a liberdade dá bons frutos.”

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Revolucionário

“A revista ‘Terra Fluminense’ estampa o retrato do jornalista Julio Ruas, acompanhado da seguinte nota:

‘Uma das organizações mais íntegras, homem de ação, bravura e dedicado espírito, culto e fascinante, o filho dos pampas é um ardoroso soldado antiborgista, como todo o gaúcho que se preza. Julio Ruas fez a evolução de 1923 na coluna do famoso Honório [Lemes], tendo sido um dos oficiais de maior valor e confiança. Jornalista dos de mais renome no Rio Grande do Sul, com cultura clássica, fundou em Alegrete a ‘Nota’, palavra de oposição ao governo do sr. Borges de Medeiros. Após a revolução, foi preso e conduzido ao Rio, onde esteve um mês. Voltando ao Rio Grande, exilou-se no Uruguai. Diante das garantias do sr. Borges de Medeiros, o sr. Julio Ruas volta para fundar ‘O Libertador’ e acaba de ser preso. Mas, preso ou solto, o sr. Julio Ruas é o mesmo gaúcho de alma afoita e límpida, preza a libertação de sua terra que o sr. Borges de Medeiros desgoverna e humilha’.”

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Borracha

“De Londres informam que, no corrente ano, há deficiência de 60 mil toneladas de borracha para as necessidades da indústria mundial, sendo que os Estados Unidos, os maiores consumidores, sofrerão por isso muitas contrariedades. Chega-se à conclusão que em 1926, 1927 e 1928 a escassez desse produto acarretará a alta nos preços, dela se aproveitando a região extrema do Norte do Brasil que ultimamente sofreu tremenda crise desorganizadora de seu trabalho e de suas finanças. Os peritos prevêem a maior diminuição de produção em 1928, ao mesmo tempo que a procura aumentará sensivelmente.”

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Limpeza

“São de todos conhecidas as reclamações dos moradores da rua Voluntários da Pátria contra o estado de abandono em que ela sempre se encontrou. Após, porém, a transmissão do cargo de intendente ao vice major Alberto Bins tomou providências que têm agradado aos que ali residem. Assim é que, todas as noites, turmas de trabalhadores da Limpeza Pública têm varrido a rua Voluntários da Pátria, quadra entre a Marechal Floriano e Gaspar Martins. Depois da varredura, também pelo Corpo de Bombeiros tem sido lavada aquela via pública. Os moradores do antigo Caminho Novo esperam que outras providências sejam tomadas para melhorar a rua de maior movimento comercial da cidade.”

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Primeiras edições

Da edição de 12 de fevereiro de 1896, quarta-feira, n. 36

Carris

“Não há negar que a Companhia de ‘bonds’ Carris Porto-Alegrense tem ultimamente muito se empenhado para colocar o seu serviço a par das crescentes necessidades do público. Ainda não é, reconhecemos, coisa aceitável a comodidade e segurança que ela oferece aos passageiros, nem é nada admirável a exatidão do respectivo horário. O seu material rodante acha-se em más condições, e o seu horário muitas vezes deixa de ser observado com a devida precisão. No entanto, vê-se que a companhia faz quanto pode para atender convenientemente aos múltiplos reclamos de um serviço que, em parte, está pedindo reformas radicais e, por outro lado, exige desenvolvimento consentâneo com o progresso local. A uma e a outra dessas exigências vai a companhia atendendo com reconhecida solicitude.

À primeira, refazendo por completo o leito e os trilhos de suas antigas linhas, estabelecendo mais desvios, preparando-se para, em breve, fazer um serviço rápido e regular de passageiros e cargas.

À segunda, criando novas e utilíssimas vias carris de comunicação entre a capital e seus futurosos e belos arrabaldes. Como as finanças da Carris Porto-Alegrense são as mais prósperas possíveis, a companhia poderá ter muito bem, e em pouco tempo, um serviço completo e de acordo com as necessidades públicas. [...] O movimento de passageiros, como se deixa ver pelo acréscimo de renda, foi extraordinário. A esse acréscimo de movimento não correspondeu, porém, o aumento do material rodante, pois que existem atualmente apenas 33 ‘bonds’, os quais, parece-nos, não podem comportar e transportar em boa ordem o excessivo número de passageiros que em certas ocasiões acodem às diversas linhas. É essa uma das causas do atropelo de serviço nos dias de festa popular em algum dos arrabaldes servidos pelos carros da companhia. Outra causa é que a Porto-Alegrense dispõe somente de 237 muares. Nos dias de serviço ordinário, em que trabalham 16 veículos, esses animais chegam perfeitamente para o trabalho regular; porém, quando os 33 ‘bonds’ têm de ser postos em movimento, aquele número de animais não pode absolutamente dar conta do serviço, pois que os 237 muares apresentam uma média de 6 1/2 mudas para a lida estafante de 18 horas, muitas vezes em uma linha da extensão de quase 7.000 metros. Em nosso entender, essas duas faltas devem ser quanto antes remediadas pela companhia, para que de pronto se torne apta a atender às naturais exigências do serviço, por ocasião de aglomerado de povo em algum dos arrabaldes, o que frequentemente se dá.

E parece que são mesmo esses os intuitos da Carris Porto-Alegrense.”

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O dia 12 de fevereiro na história

  • 1541 Santiago do Chile é fundada pelo conquistador espanhol Pedro de Valdívia.
  • 1804 Morre em Königsberg o filósofo alemão Immanuel Kant, “pai da filosofia moderna”.
  • 1809 Nasce o naturalista e biólogo britânico Charles Darwin, autor da teoria da evolução das espécies.
  • 1809 Nasce em Kentucky o 16º presidente americano, Abraham Lincoln, líder da União durante a Guerra Civil Americana.
  • 1817 Exército composto por patriotas argentinos e chilenos derrota as tropas espanholas na Batalha de Chacabuco durante a guerra de independência do Chile.
  • 1832 O Equador anexa formalmente as Ilhas Galápagos.
  • 1912 Pu Yi, imperador Xuantong, é forçado a abdicar aos seis anos de idade e se torna o último imperador da China.
  • 1923 Nasce em Florença o diretor, produtor e político Franco Zeffirelli.
  • 1933 Nasce o diretor, roteirista e produtor greco-francês Costa-Gavras.
  • 1938 Nasce no interior carioca o sambista, cantor e compositor Martinho da Vila.
  • 1941 Nasce em Garanhuns, Pernambuco, o acordeonista, compositor e cantor José Domingos de Morais, Dominguinhos.
  • 1950 Nasce em Londres o guitarrista Steve Hackett, membro da banda britânica Genesis.
  • 1961 A URSS lança Venera 1, a primeira espaçonave a executar uma viagem interplanetária, em direção a Vênus.
  • 1961 Nasce em Nova Iorque o antropólogo e ativista anarquista David Graeber.
  • 1968 A 2ª Brigada Marine da Coreia do Sul massacra civis desarmados nas vilas de Phong Nhị e Phong Nhất durante a Guerra do Vietnã.
  • 1974 O escritor soviético Aleksandr Solzhenitsyn, autor de “Arquipélago Gulag” e prêmio Nobel de 1970, é exilado da URSS.
  • 1984 Morre em Paris o escritor, poeta e tradutor argentino naturalizado francês Julio Cortázar.
  • 1994 O famoso quadro “O Grito”, de Edvard Munch, é roubado da Galeria Nacional da Noruega por quatro ladrões.
  • 2000 Morre na Califórnia o cartunista americano Charles M. Schulz, criador da turma do Snoopy e Charlie Brown.
  • 2001 NEAR Shoemaker se torna a primeira espaçonave a pousar sobre um asteróide ao tocar a superfície de 433 Eros.
  • 2002 Começa em Haia o julgamento por crimes de guerra do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic.
  • 2004 A cidade americana de San Francisco começa a emitir licenças para casamentos de casais do mesmo sexo.
  • 2019 A República da Macedônia é oficialmente renomeada República da Macedônia do Norte após acordo em disputa com a Grécia.
  • 2019 Morre o ex-goleiro inglês Gordon Banks, autor de defesa histórica em cabeçada de Pelé na Copa de 1970.


* A grafia está atualizada para as normas atuais, à exceção dos nomes próprios.